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Ferreira Leite: “O ministro [da Educação] estragou tudo”

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A antiga ministra da Educação criticou fortemente a eliminação de exames nacionais a meio da ano letivo. Para Manuela Ferreira Leite, a decisão do Ministério liderado por Tiago Brandão Rodrigues foi “uma machada no ensino público”. “Se não há cultura da nota, talvez haja a cultura da cunha”, disse

Manuela Ferreira Leite criticou, na noite desta quinta-feira, a decisão da abolição dos exames nacionais a meio do ano letivo. No habitual espaço de comentário na TVI24, a antiga ministra da Educação acusou o atual tutela de ter “estragado tudo”.

“Há opiniões para tudo, mas não se pode interromper o ano letivo. O ministro [da Educação] estragou tudo. Estregou o anterior e estragou o futuro (…) Deu uma machadada no ensino público”, disse Ferreira Leite. “Há um gosto que ainda ninguém tinha tido que era fazer alterações a meio do ano letivo”, acrescentou.

Ferreira Leite sublinhou ainda que “todos estão de acordo que é preciso estabilidade” no sistema de ensino, no entanto cada ministro que entra “introduz alterações”. “São medidas que quem é entendido na matéria, e até quem não é entendido, percebe que têm de ser ponderadas”, justificou.

Na passada terça-feira, Tiago Brandão Rodrigues anunciou as alterações na Educação e argumentou que o anterior modelo “estava errado e era nocivo”. “O ministro da Educação nunca poderá dizer que há uma prova que é nociva. A palavra acho absolutamente infeliz, e acho que não percebeu a palavra que utilizou”, referiu Manuela Ferreira Leite.

A ex-ministra da Educação questiona ainda a razão pela qual o Governo quebrou o protocolo com o Cambridge School. Até aqui, os alunos do 9ºano realizavam um exame de inglês e obtinham um diploma certificado por aquela instituição. “Fiquei perplexa. Se calhar não será nocivo para os alunos ter um diplomatizo com o nível de inglês...”, considerou.

Ferreira Leite criticou a vontade do novo ministro querer acabar com a “cultura da nota”. Para a comentadora, atualmente vivemos “num mundo da competitividade” e de “rankings”, em que existe “classificações para tudo”.

“Se não há cultura da nota, talvez haja a cultura da cunha”, afirmou.

Sobre a reposição das 35 horas de trabalho para a Função Pública, Manuela Ferreira Leite lembrou que é preciso ter consciência de que a medida “terá consequências” e “tem evidentemente um ónus orçamental”. Apesar de concordar com a medida, a ex-ministra das Finanças considerou também que os sindicatos estão a fazer “birra” ao convocarem uma greve, uma vez que em causa está só a data de entrada em vigor.

“Acho desproporcionada e despropositada a greve”, concluiu.