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Assunção Cristas anuncia hoje candidatura à liderança do CDS

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A vice-presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, fala aos jornalistas na reunião do Conselho Nacional do partido, em Elvas

NUNO VEIGA/LUSA

Ex-ministra da Agricultura já comunicou aos seus mais próximos que vai assumir a candidatura. Nuno Melo também fala esta quinta-feira, às 12h. Há apoiantes descrentes de que avance

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Assunção Cristas já decidiu e deverá anunciar ainda esta quinta-feira a sua candidatura à presidência do CDS. O formato desse anúncio ainda não está fechado, mas poderá ser feito através da rede social Facebook, seguindo-se, mais tarde, as explicações à comunicação social. Ao que o Expresso apurou, a decisão de Assunção Cristas, embora já esteja tomada, só deverá ser anunciada depois de Nuno Melo relevar publicamente se entra também, ou não, na corrida para a sucessão de Paulo Portas.

A declaração de Melo está agendada para o meio-dia desta quinta-feira, na sede nacional do CDS, já depois de uma conversa a dois com Assunção Cristas. Alguns apoiantes do eurodeputado ouvidos pelo Expresso manifestaram-se na noite passada pouco esperançados de que este avance de facto com uma candidatura a presidente do partido. O facto de ter dado na noite passada uma entrevista de uma hora à RTP3 em que apresentou a sua visão do partido e somou argumentos para poder candidatar-se, mas acabando por não responder à pergunta que todos queriam ver respondida – se é ou não candidato – soou a alguns como a preparação de um anúncio pela negativa.

Juntos em vez de adversários?

“A sucessão não terá de ser Nuno Melo contra Assunção Cristas ou Assunção Cristas contra Nuno Melo. Porque não pode ser um e o outro?”, foi uma das frases enigmáticas deixadas pelo primeiro vice-presidente do CDS, que garantiu que “independentemente de ser ou não ser candidato o CDS saberá dar uma lição ao país”. “O que me parece mais importante é tentar, no que de mim dependa, assegurar que o fim do ciclo de Paulo Portas não signifique um partido que se vai balcanizar e radicalizar em conflitos”, disse Melo.

Porém, também houve partes da entrevista em que o eurodeputado apresentou currículo e não escamoteou que é o quadro do CDS mais bem posicionado para substituir Portas – e com essas referências pareceu marcar terreno. Lembrou que fez “a escadaria toda” da máquina partidária e das eleições, desde a assembleia de freguesia até ao Parlamento Europeu, e que o fez “passo a passo, sem depender de ninguém, da base ao topo”. “Se eu achar que devo [ser candidato], serei”, assegurou, salientando os incentivos que tem recebido de “tantos militantes e dirigentes, do Norte ao Sul”.

“Essas expressões de apoio têm uma expressão significativa”, anuiu Melo, mas atalhou que “se eu não for candidato, ficarão ao serviço de quem tenha capacidade”.

Nuno Melo fez igualmente o elogio de Assunção Cristas, que garantiu não olhar “como uma adversária”, mas como “um ativo importantíssimo do CDS”. Para além do seu desempenho em vários cargos, nomeadamente no Governo, Melo frisou que, sendo mulher, Cristas “pode marcar uma diferença em relação à liderança de Paulo Portas que eu não poderia”. Mais: a atual deputada “tem uma justificada apreciação positiva da comunicação social que lhe garantirá um estado de graça muito maior do que eu teria”. Se avançar, diz Melo, “como é evidente” gostaria de ter Cristas do seu lado.

A sua decisão, garantiu Melo, não terá a ver com as hipóteses de vencer o congresso, mas com “garantir um ciclo de crescimento que está ao alcance do CDS”. “O que está em causa não sou eu”, jurou.