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“Mário Nogueira é quase um secretário de Estado”, diz Bagão Félix

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MÁRIO CRUZ / LUSA

O antigo ministro das Finanças criticou a “pressa” do atual Executivo em anunciar o fim das provas finais no ensino básico. “Eu acho que o tempo da política se está a sobrepor ao tempo da pedagogia”, lamentou

Para António Bagão Félix, o fim das provas finais no ensino básico - anunciado pelo Executivo - revelam uma “instabilidade das regras” que não é positivo para o sistema educativo.

“Não há sistema que resista a tanta modificação. (...) Era necessário o sistema respirar fundo. Nesse sentido, um debate profundo e alargado era importantíssimo”, declarou o antigo ministro das Finanças, esta noite, no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias.

Bagão Félix frisa que com esta medida o Estado parece com algum “caráter de retroatividade” mudar as “regras do jogo”, o que na sua opinião está errado.

“Em janeiro, [o Governo] diz, afinal, o seu filho não vai ter exame. Para quê esta pressa toda? Em nome de quê? Em nome do sistema ser mais errático?”, questionou.

O antigo ministro sustentou que “o tempo da política se está a sobrepor ao tempo da pedagogia e o tempo da pedagogia a sobrepor-se sobre a família”, acrescentou.

Bagão Félix disse discordar da posição do líder da FENPROF que defendeu que esta é a altura certa para levar a cabo algumas mudanças no sistema educativo, sublinhando que a estabilidade é vital.

“Mário Nogueira é quase um secretário de Estado, um ajudante de ministro”, ironizou.

Quanto à reposição das 35 horas de trabalho na Função Pública, Bagão Félix lembrou que a medida irá implicar necessariamente o aumento da despesa e conta naturalmente com o apoio dos parceiros à esquerda.

“Estamos na fase da festa, de reverter as medidas e nessa medida o Governo tem tido apoio da esquerda, já nas medidas mais simpáticas tem tido apoio da direita.”

Na visão de Bagão Félix, é “curioso que alguns sindicatos para as coisas melhores querem igualar o seu estatuto ao sector privado, agora em contrapartida o sector privado fica diferenciado negativamente face ao sector público”.

O antigo ministro das Finanças apontou ainda para um aspeto positivo desta medida, que tem a ver com o objetivo de aumentar a produtividade dos trabalhadores.