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Apoio do PSD a Marcelo não é tóxico, defende Passos Coelho

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Miguel A. Lopes / Lusa

O antigo governante não rejeita a possibilidade de voltar a ser primeiro-ministro. Sobre Marcelo, a posição é clara: embora não o acompanhe no terreno, é “inquestionavelmente” o candidato do PSD

Pedro Passos Coelho não considera que o apoio dado pelo PSD à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa seja tóxico. A garantia é dada pelo ex-primeiro-ministro em entrevista à Rádio Renascença, esta terça-feira à noite.

O antigo governante explica as razões que o levaram a recomendar aos sociais-democratas o voto em Marcelo: é que apesar de terem personalidades muito diferentes, Marcelo tem “da função presidencial uma noção institucional que não difere, na sua natureza, daquela que tem sido a interpretação do professor Cavaco Silva”.

A segunda razão apresentada pelo líder social-democrata funciona como recado aos candidatos mais à esquerda: “[Marcelo] corporiza a importância estratégica que a nossa participação no projeto europeu pode representar para Portugal” e não será um Presidente com uma postura desconfiada em relação à Europa, “como têm muitas outras forças políticas que apoiam outras candidaturas”.

Para mais, Passos Coelho salienta que Marcelo é “inquestionavelmente” o candidato que PSD e CDS preferem, uma vez que “não há sequer nenhuma outra candidatura que tenha origem nesta área política”. No entanto, o líder social-democrata considera que a questão de mostrar mais apoio ao seu candidato está “ultrapassada”: “Eu combinei com ele que não teria participação física na campanha eleitoral”, recorda.

Quanto à intenção do professor de Direito de “fazer tudo para que a legislatura chegue ao fim”, Passos mostra-se de acordo: “Uma vez que temos um novo Governo e que esse Governo se suporta numa maioria no Parlamento, tem de mostrar o que vale. E, portanto, terá o horizonte da legislatura para se afirmar”. No entanto, o antigo primeiro-ministro aproveita para recordar que em caso de desacordo à esquerda, o seu partido não terá “a função de apoiar quem perdeu”, hipótese que Passos entende ser uma “perversão democrática”.

Passos não rejeita voltar a ser primeiro-ministro

Falando sobre a retirada de Portas da liderança do CDS, o líder social-democrata rejeita que a sua hora também tenha chegado: “Não sou nostálgico, o poder nunca me subiu à cabeça, não mudei muito a minha maneira de estar, não mudei significativamente a minha maneira de pensar. As circunstâncias é que são diferentes e eu não deixarei de funcionar como líder do PSD nas novas circunstâncias em que o PSD está”, declara.

Sobre a hipótese de voltar ocupar o cargo de primeiro-ministro, Passos não recusa a ideia: “Julgo que o PSD está preparado para voltar ao Governo para fazer o que não teve a possibilidade de acabar de fazer e eu, como primeiro-ministro que fui, de completar um trabalho que deixei a meio em termos de reforma estrutural”, confirma.