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Paulo Morais diz que o país foi transformado num “deserto verde”

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Paulo Novais/Lusa

Candidato presidencial defendeu que muitas terras que podiam ser aproveitadas para a agricultura estão “infestadas de eucaliptos”

O candidato presidencial Paulo de Morais considerou esta segunda-feira que Portugal é um "verdadeiro eucaliptal", numa alusão à indústria da celulose que "transformou o país num deserto verde", com consequências ao nível ambiental.

"A celulose é uma indústria altamente poluente, porque polui, desde logo, ao nível da produção de matérias-primas. Portugal foi transformado nos últimos anos num verdadeiro eucaliptal, é um eucaliptal sem dimensão, muitas das terras do país que podiam ser aproveitadas para a agricultura estão infestadas de eucaliptos", disse Paulo de Morais aos jornalistas, à margem de uma visita à povoação de Leirosa, Figueira da Foz.

O candidato à Presidência da República disse, ainda, que em termos ambientais e de poluição, apesar de nos últimos 40 anos ter havido uma grande reconversão tecnológica ao nível da produção de pasta de papel, "nas consequências para as populações evoluiu-se muito pouco".

"Ao nível dos odores e do mal-estar nas imediações das fábricas de papel continuamos como nos anos 60", considerou.

O candidato frisou que a situação não é exclusiva da Figueira da Foz - a povoação da Leirosa é vizinha da fábrica da Celbi e, na mesma freguesia, está implementada também a Soporcel - e acontece também em Aveiro, Viana do Castelo e outros pontos do país.

Paulo de Morais disse que um candidato a Presidente da República tem de ter a preocupação que as leis em termos ambientais "sejam claras, o que infelizmente em Portugal não acontece ainda", argumentando que existe muita legislação ambiental, "mas muita dela pouco clara" e que a fiscalização do Estado "é perfeitamente fraudulenta".

"Há muitos fiscais que são comprados por meia dúzia de euros", acusou.

"Porque se não houver uma legislação clara e uma fiscalização confiável, depois tudo é tratado em termos casuísticos. Hoje há um problema na Leirosa, a população revolta-se e há uma intervenção de emergência (...). Penso que estamos todos fartos de intervenções casuísticas ao nível do ambiente", declarou.

Na ocasião, Paulo de Morais contactou ainda com alguns pescadores residentes na localidade, nomeadamente sobre situações de falta de segurança na barra do porto da Figueira da Foz - onde um naufrágio, em outubro, matou cinco pescadores - e lembrou que aqueles profissionais "vivem permanentemente em insegurança".

"Todos os anos em Portugal há pescadores que morrem e, ao mesmo tempo, vemos que as autoridades não têm capacidade de resolver o problema do socorro aos náufragos", sustentou.

Paulo de Morais considerou "completamente inadmissível" que o Instituto de Socorros a Náufragos funcione "como se fosse uma repartição de Finanças", situação que o candidato quer ver alterada, porque a segurança dos pescadores "não é compaginável com regras da função pública".

A esse propósito, Paulo de Morais disse que as áreas da defesa, segurança e proteção civil devem ser uma "preocupação permanente" do Presidente da República, prometendo "preocupação máxima e urgente" na segurança dos pescadores.