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PAN disposto a “falar do que ninguém fala” no parlamento

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ANTÓNIO COTRIM/ LUSA

No 5.º aniversário do partido, o deputado André Silva congratula-se com a maior visibilidade conseguida pea formação política na Assembleia da República

O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) assinala esta segunda-feira o quinto aniversário da sua formalização com balanço positivo, assinalando como um dos principais marcos a eleição do primeiro deputado à Assembleia da República, o que permite "falar do que ninguém fala".

"O balanço que faço é extremamente positivo. Em cinco anos a evolução foi enorme e, logo quatro meses depois da oficialização, em janeiro de 2011, tivemos as eleições legislativas e quase elegemos um deputado pelo círculo de Lisboa. Portanto, desde logo, revelou o potencial enorme do partido", afirmou o deputado André Silva à agência Lusa.

Apesar de o Tribunal Constitucional apontar o dia 13 de janeiro de 2011 como o dia da oficialização do partido, as comemorações informais nas sedes de Lisboa, Porto e Madeira realizam-se esta segunda-feira, estando os espaços abertos a todos os que queiram "cantar os parabéns ao PAN".

Após terem ficado perto de eleger um eurodeputado nas eleições europeias de 2014, André Silva foi eleito deputado à Assembleia da República nas últimas legislativas, no final de 2015.

André Silva destaca a "visibilidade que o PAN passou a ter a partir do dia 04 de outubro, com a possibilidade de mediatizar causas, valores, mensagens, ideias, medidas de que ninguém fala".
Na opinião do deputado, a tauromaquia, as alterações climáticas ou a construção de plataformas petrolíferas "são assuntos esquecidos, mas que os cidadãos querem que se fale, que sejam discutidos, que venham para o debate político" e, neste sentido, defende que o "PAN traz, e vai continuar a trazer, a frescura e, acima de tudo, também alguma irreverência" ao parlamento.

O deputado criticou o facto de estar "fortemente condicionado" nos debates parlamentares, não tendo "a mesma dignidade para exercer o mandato", em relação aos outros partidos.

"Os meus tempos de intervenção são muito escassos, são poucos e muito curtos, na ordem de um minuto, e não tenho possibilidades de fazer os agendamentos das iniciativas como os outros grupos parlamentares", sublinhou.

Assim, o objetivo para as próximas eleições legislativas passa por conseguir mais um mandato e formar um grupo parlamentar, o que representa "um salto qualitativo enorme" para o partido que já teve três denominações.

Antes de ser oficializado, o movimento foi idealizado com o nome de Partido pelos Animais (PPA), passando depois, "por uma questão de maior abrangência", a designar-se Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN).

Em 2014 o nome volta a mudar, desta vez para Pessoas-Animais-Natureza. Segundo André Silva, a alteração deveu-se à necessidade de incluir uma referência às pessoas na designação do partido e trocaram "o P de partido pelo P de pessoas".

Quanto ao futuro, o PAN quer cumprir "um dos seus grandes desejos", que é informar, consciencializar, educar as pessoas, "ajudando a uma transformação das consciências".

Numa análise a cinco anos, André Silva vinca que gostaria de ver um Portugal "em que as praças de touros estão fechadas, transformadas em museus", um país no qual os "animais têm direitos jurídicos", onde a "toda a política não se subjuga à economia", e onde a "discriminação de género já não existe".

André Silva diz acreditar, também, que o espetro político se vai alterar no futuro, com "a entrada de novos atores políticos" na Assembleia da República.