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Marcelo invade o centro: “Eu sou a esquerda da direita”

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José Carlos Carvalho

Entre a esquerda e a direita o que é que está? O centro. Marcelo diz que Freitas perdeu em 86 porque vinha da direita e deixou que a fratura ideológica entrasse na campanha

Marcelo está na Guarda e há uma rua com o nome de Salgado Zenha que deu o mote para a conversa recuar até 86, quando Freitas do Amaral perdeu as presidenciais para Mário Soares. Dentro do balcão de um café - Marcelo adora passar para o lado de lá -, o candidato diz que a sua situação não é comparável à de 86 porque Freitas vinha mesmo da direita e ele vem “da esquerda da direita”.

Estar ao centro e fazer uma campanha moderada é a aposta de Marcelo Rebelo de Sousa. “As presidenciais de 86 foram o último momento de grande clivagem ideológica neste tipo de eleições”, afirma, “e essa clivagem, foi assumida nas campanhas com argumentos muito ideológicos”. Desta vez, é tudo isso que o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS tem evitado fazer.

Indisponível para comentar os ataques que continuam a ser-lhe dirigidos, sobretudo pela candidatura de Sampaio da Nóvoa, Marcelo insiste: “O país está muito dividido”, e o seu objetivo central é ganhar espaço para “o unir”. Mesmo assim, quis esclarecer que não cumpriu o serviço militar obrigatório porque foi pedindo adiamentos até 73, quando fez as provas de mestrado.“Se não houvesse o 25 de abril, tinha cumprido o SMO”.

“Daqui a 12 dias, ganhe quem ganhar, vamos ter de nos unir.” Marcelo tenta fixar a ideia de que tudo fica decidido a 24 de janeiro, sem segunda volta. Mas entre os sociais-democratas que aparecem no terreno - autarcas, deputados e dirigentes locais -, há o receio de que isto não chegue.

Nunca viram uma campanha assim. Esta segunda-feira, na Guarda, a arruada parecia um passeio em família. Marcelo nunca perde o humor: “Vamos juntinhos para parecermos muitos”.