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“Aqui todos me conhecem como o Edgar ou o padre Edgar”

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HOMEM DE GOUVEIA / Lusa

Candidato presidencial apoiado pelo PCP, Edgar Silva apelou ao voto numa arruada no Funchal: é para votar, “nem que chovam canivetes”

Marta Caires

Jornalista

Entre abraços a velhos camaradas e cumprimentos a quem passava, Edgar Silva fez o segundo dia de campanha presidencial no Funchal, numa arruada que foi também o regresso à cidade onde todos o conhecem pelo nome. À porta do Mercado dos Lavradores, o cqandidato foi madeirense na pronúncia e no sentir. “Aqui todos me conhecem como o Edgar ou o padre Edgar”, disse antes de apelar ao voto nas eleições presidenciais de 24 de Janeiro. Se ninguém faltar, “Marcelo Rebelo de Sousa vai ser derrotado”.

No sítio onde fez várias campanhas e entre os apoiantes de sempre, o candidato comunista lembrou que o importante é ir votar, “nem que chovam canivetes”, pois por “um voto se ganha, por um voto se perde”. Edgar Silva fez questão de sublinhar que nas últimas eleições regionais a maioria absoluta do PSD foi ganha por apenas quatro votos, “foi quanto faltou para se dar uma volta” à política e à história da Madeira. E por isso pediu e insistiu: “Que ninguém falte”.

Feita a intervenção, o candidato assumiu a liderança da arruada, à frente dos bombos e das bandeiras e seguido por sindicalistas e comunistas, as mesmas caras ao lado de quem tem feito as lutas do PCP na Madeira. Edgar Silva entrou depois nas lojas, falou com pessoas nas esplanadas, foi a cafés e entregou papéis a quem passava pelo centro do Funchal. Ali, onde é apenas o Edgar, ouviu dizer que “é semente nossa”, pessoa conhecida, mas, como lembrou, “a simpatia não basta”.

Apesar do regresso a casa e da campanha na cidade onde nasceu e cresceu, o candidato comunista foi cauteloso quanto a uma possível vitória sua na Madeira. Edgar Silva não apontou essa conquista como um objetivo, disse estar confiante, mas preferiu lembrar que é madeirense e não só na pronúncia, é também no sentir, na maneira de compreender os problemas de quem vive nas ilhas. O que é vantagem para um candidato a Presidente da República: a compreensão de todas as dificuldades do país, no continente ou nas ilhas.

Se é uma vantagem ou uma desvantagem, tudo ficará esclarecido a 24 de janeiro. Para já, Edgar Silva é crítico dos prognósticos, dos comentadores e das sondagens, e tem também pouca consideração pela popularidade que o candidato da direita (Marcelo Rebelo de Sousa) tem. A televisão, relembra com ironia, é capaz de “vender sabonetes ou um Presidente”, mas não ganha eleições só por si. Isso faz-se na urnas. essa é a grande conquista de Abril e da democracia, sublinha.

O apelo ao voto foi também para os homens e mulheres de Abril, os que não se podem abster nas eleições como insistiu esta segunda-feira, ao segundo dia de campanha e antes de atravessar o centro do Funchal a distribuir folhetos e ao som do slogan “Edgar avança com toda a confiança”.