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Ângelo Correia. “Rui Rio tem reais condições para se candidatar à liderança do PSD”

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Alberto Frias

Em entrevista ao “i”, o homem que “ajudou muito” Passos Coelho fala da liderança do PSD, do futuro do partido e de Cavaco, que aconselha a “ir para o convento, fazer atos de arrependimento, de oração, penitência”

Pedro Passos Coelho vai ser reeleito no congresso do PSD, agendado para abril, mas porque não tem oposição, que poderia ser assegurada por Rui Rio. As palavras são de Ângelo Correia, o ex-ministro que ajudou a lançar Passos e Cavaco - relações que entretanto esfriaram - em entrevista à edição desta sexta-feira do “i”.

Por um “acaso da história, talvez por necessidade”, o militante social-democrata e o atual líder do partido tornaram-se amigos. “Ajudei-o muito” quando ainda era um nome desconhecido no PSD, assegura Ângelo Correia. Mas os tempos mudaram, Correia “desiludiu-se” com os caminhos da governação tomados por Passos, e agora acredita que se o ex-primeiro-ministro vai ser reeleito em abril é por não ter oposição; quanto ao congresso seguinte, daqui a dois anos... não tem “essa mesma certeza”.

E quem poderia ser o sucessor de Passos? Para o seu antigo padrinho político, Rui Rio. “Tenho pena de que Rui Rio se tenha empenhado excessivamente na campanha presidencial. Ele não é um candidato presidencial, mas é uma pessoa que pode ser líder do PSD”, diz, antes de acrescentar que o ex-presidente da Câmara do Porto tem “reais condições para avançar” na corrida à liderança social-democrata.

Quanto ao PSD, Correia defende que deve ser conduzido um processo de “reflexão” pós-austeridade: “O PSD não pode passar o tempo fingindo que não se passou nada, quando provocou mudanças profundas na sociedade portuguesa. Tem de se saber qual o seu grau de adesão e a que programa - o seu ou o troika”, defende, acrescentado que se não existir este esclarecimento os sociais-democratas poderão ter “dificuldades em voltar ao poder”.

“O sonho europeu acabou”

Falando da política externa portuguesa, que diz ser inexistente, o ex-ministro de Balsemão lança duras críticas: “Há muitos anos que Portugal deixou de pensar e agir em nome dos seus interesses. Obliterámos o nosso papel no mundo”. Uma viragem que tem a ver com quem manda na Europa: “Vamos ser obrigados a aceitar a Alemanha como potência diretora”, diz, anunciando que “o sonho europeu acabou”.

Ao “i”, Correia fala ainda de outro nome que lançou no seio do partido, “antes de ser líder”: o de Cavaco Silva. Negando ser anticavaquista, Correia aconselha o atual Presidente da República a aproveitar o fim do mandato para “ir para o convento, fazer atos de arrependimento, de oração, penitência”. E remata: “Cavaco nunca teve perfil para ser Presidente da República”.