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Marcelo passa ao ataque: “A sua história [Nóvoa] é de vazio”

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Tiago Miranda

Agora é a sério. Acabado o campeonato dos “pequeninos”, Marcelo passou ao ataque. Acusou Sampaio da Nóvoa de ter “uma história de vazio e ausência” e de querer passar “de soldado a general”. Nóvoa disse “não estar à espera”. E acusou-o de “jogar com as palavras o tempo todo”. Um duelo marcado pelas vantagens e desvantagens de quem [Marcelo] está há anos no palco

Marcelo hesitou quando Sampaio da Nóvoa o acusou de ter estado num Governo que há 30 anos já queria pôr em causa o Serviço Nacional de Saúde mas, no essencial, este foi o primeiro debate em que o candidato apoiado pela direita pôs as garras de fora.

Terminada a fase dos embates com todos, Marcelo Rebelo de Sousa percebeu que tinha que saír da zona de conforto, passou ao ataque e surpreendeu o adversário. "Não estava à espera deste argumentário", afirmou Nóvoa. Marcelo tinha acabado de o acusar de ter "uma história de vazio e ausência" e de "querer passar de soldado a general".

Foram 30 minutos de duelo entre quem esteve sempre no palco e quem só recentemente deu nas vistas. Nóvoa explorou as contradições de Marcelo ao longo dos últimos 40 anos - "temos 20 declarações suas a dizer uma coisa e 20 a dizer o contrário". E Marcelo atirou-lhe à cara o facto de ter ido a todas enquanto ele primava pela ausência - "Eu acertando ou errando, estive cá. Onde é que o sr. esteve nos últimos 20 anos?".

Marcelo exibiu a experência internacional, de autarca, governante, comentador e dirigente partidário, e considerou grave um candidato presidencial não a ter. Mas foi desse passado que lhe saltaram os momentos mais apertados.

Nóvoa acusou-o de ter apoiado o projeto de revisão constitucional de Passos Coelho, que previa restringir a saúde e a educação públicas. "Eu não apoiei o projeto, disse que ele era hábil". Ter estado sempre em cena às vezes complica. Mas Marcelo não deu tréguas.

"O senhor é um candidato de fação". Nóvoa tinha-se assumido como o porta-voz "de um tempo novo", aberto pelo Governo de Costa contra o tradicional "arco da governação". Marcelo ataca-o: "Não pode dizer que se candidata em nome de X portugueses". Nóvoa cola Marcelo a Passos e Portas - "ainda em setembro se bateu por eles". Marcelo cita Francisco Louçã: "Foi ele que disse que tentar colar-me é uma tarefa impossível porque não somos coláveis".

Clara de Sousa pergunta: "Há apoios tóxicos?". Marcelo dá um soco ao adversário: "é perguntar ao dr. Sampaio da Nóvoa se o apoio do MRPP é tóxico". Nóvoa vira a página e promete ser um Presidente "de causas". Marcelo acusa-o de ser "de fação e querer intervir", e contrapõe uma "magistratura de arbitragem". Nóvoa exibe o apoio de três ex-PR (Eanes, Soares e Sampaio). Marcelo responde: "Tem que trazer ex-PR na lapela, eu não preciso. A mim não me pediram para avançar. Decidi avançar".

O duelo ainda passou pelos custos da campanha. Marcelo acusa Sampaio da Nóvoa de fazer uma campanha cara - "vi-o aqui a desembarcar com uma carrinha de 6 pessoas. É um escândalo fazer campanhas caras em tempo de crise. Eu não aceitei dinheiros privados". Nóvoa acusa-o de fazer declarações "anti - democráticas".

O candidato da esquerda vem cheio de frases do professor - "disse que é um erro privilegiar a escola pública em tempos de crise". Marcelo diz que não foi isso que disse. Clara de Sousa pergunta-lhe qual a marca de água da sua candidatura. Marcelo Rebelo de Sousa diz que "é o consenso, consenso, consenso". Mas, na reta final dos debates, o professor percebeu que tem que começar a partir louça. Amanhã, o debate é com Maria de Belém.