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Líder do PSOE em Lisboa para se aconselhar com Costa

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SERGIA BARRENECHEA / EPA

Pedro Sanchez, que está envolvido num dificil processo de negociações para a formação de um novo governo em Espanha, já se confessou seduzido por um “pacto à portuguesa”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) desloca-se esta quinta-feira a Lisboa expressamente para um encontro com António Costa, na sua qualidade de secretário-geral do PS. Ao que soube o Expresso, Pedro Sanchez pretende aconselhar-se com Costa, tendo em vista o resultado das eleições legislativas realizadas a 20 de dezembro em Espanha.

Tal como o PS em Portugal, o PSOE perdeu as eleições do passado dia 20 em Espanha (22% dos votos) para o Partido Popular (28,7%), um resultado muito aquém do esperado e um dos piores da sua história. Mas o irrompimento dos novos partidos Podemos (20,6%) e Ciudadanos (13,9%) veio colocar uma situação inédita em Espanha, nomeadamente para formar Governo.

Sanchez assume-se seduzido por um "pacto à portuguesa", quer dizer, uma aliança à esquerda como António Costa conseguiu levar a cabo com PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, afastando a coligação vencedora. Mas a tarefa do líder espanhol é dificultada pelas posições mais radicais do Podemos e pela luta interna no PSOE, cujos "barões" gostariam de convocar um congresso já para fevereiro com poderes para debater a liderança de Pedro Sanchez, eleito em diretas em julho de 2014.

O Podemos, nomeadamente, exige um referendo na Catalunha sobre a independência para fazer uma aliança com o PSOE, o que é inaceitável para este, que é contra a "rutura de Espanha", defendendo, ao contrário, um sistema federal. Os outros grupos nacionalistas com quem os socialistas podiam entender-se são também a favor de um referendo.

Internamente, Pedro Sanchez está também cercado pelos "barões" do partido, alguns dos quais, como a presidente andaluza Susana Díaz (que governa em aliança com o Ciudadanos), querem que o PSOE aceite a recondução do primeiro-ministro Mariano Rajoy para obter cedências sociais e económicas. Sanchez está absolutamente contra, tendo afirmado que nunca votaria a favor da investidura de um Governo do PP, fosse ou não Rajoy a encabeçá-lo.

Ou seja, está criado um impasse que, se não for possível de resolver, levará à convocação de novas eleições, o que alguns dirigentes socialistas estão dispostos a aceitar, mas depois de afastar Sanchez da liderança do PSOE.

António Costa e Pedro Sanchez encontraram-se várias vezes, tendo mesmo celebrado em conjunto uma declaração "Impulso para a convergência de Portugal e Espanha na Europa". E, assinale-se, a "peça" Espanha é também muito importante para Portugal num novo xadrez europeu, em que o país conta com um virar de página das políticas de austeridade ou, pelo menos, com mais flexibilidade, defendido por um arco maior de Estados-membros.