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Santos Silva promete reexaminar rede diplomática

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ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros mantém dirigentes e é a favor das sanções à Polónia

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Augusto Santos Silva promete reexaminar a rede diplomática e consular durante o período de legislatura, mas garante também que no ministério que tutela há mês e meio "trabalha com todos, respeita todos e conta com todos".

O ministro falava esta terça-feira aos jornalistas, num intervalo do Seminário Diplomático realizado em Lisboa, onde apresentou as orientações e objetivos do seu mandato.

"O que fiz neste mês e meio foi preencher lugares em falta", disse, respondendo à pergunta sobre se tenciona agastar alguns dirigentes dos organismos que tutela, nomeadamente a AICEP e o Instituto Camões. "Os dirigentes de serviços da administração direta ou indireta estão em plenitude de funções", sublinhou.

Santos Silva salvaguardou no entanto que em 2016 haverá ainda condições restritivas financeiras para reorganizar a rede diplomática e consular, mas que isso será feito tendo em conta também da rede comercial. "Serão reforçados postos e revista a localização de alguns, e criados outros".

Preocupado com conflito no Golfo e Venezuela

De um ponto de vista das relações internacionais, o ministro pronunciou-se ainda sobre vários temas em foco, nomeadamente a crise entre a Arábia Saudita e o Irão, e a situação na Polónia e na Venezuela

Sobre o conflito no Golfo, manifestou preocupação com a escalada de tensões numa zona nevrálgica "para a segurança mundial e europeia em particular", com destaque ainda para Portugal, disse, na medida em que o país tem na área do Golfo relações diplomáticas, em que fala com todos, e onde há empresas e portugueses a trabalhar. "Esperamos gerir e conter a escalada", afirmou.

O ministro também sublinhou que Portugal é contrário à pena de morte e que o respeito dos Direitos Humanos é um padrão básico, e que "não podemos também tolerar ataques a embaixadas".

De igual maneira afirmou-se preocupado com a situação na Venezuela, que disse estar a acompanhar de perto, mas "respeitando totalmente os resultados eleitorais e decisões de órgãos competentes".

Polónia: "Não podemos ver com maus olhos"

Sobre a Polónia, foi mais taxativo relativamente à proposta da Comissão Europeia de retirar direito de voto a este país devido à nova lei da comunicação social, que restringe a liberdade de imprensa.

"Portugal liderou, aquando da presidència da UE, a conclusão do Tratado de Lisboa, em cujo âmbito se inclui um artigo que permite aos Estados-membros disporem de mecanismos dissuasores em relação a Estados que não cumpram regras básicas constitutivas da União", afirmou.

Por essa razão, sublinhou, Portugal "não pode ver com maus olhos que as autoridades competentes possam colocar em cima da mesa o recurso a um mecanismo constitutivo de um tratado que Portugal foi o primeiro a liderar". Ou seja, está a favor - uma resposta clara a que Santos Silva se escusou, porque, tal como disse, "não se é ministro dos Negócios Estrangeiros sem lhe vestir a pele".