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Edgar Silva acusou Marcelo de ser “mestre na arte do engodo”

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MIGUEL A. LOPES/ Lusa

Para além da questão dos apoios e do posicionamento dos dois candidatos em relação aos partidos, o frente-a-frente foi marcado pela questão da venda do Novo Banco e da regulação do setor

Fazendo alusão a um dito madeirense, Edgar Silva acusou Marcelo Rebelo de Sousa de ser “um mestre na arte do engodo” no “disfarce dos apoios e da natureza das políticas” durante o frente-a-frente dos dois candidatos presidenciais esta terça-feira à noite na RTP1.

O candidato apoiado pelo PCP considerou que o seu adversário pretende “manter a lógica dos mandatos de Cavaco Silva”. “São as mesmas políticas, a mesma lógica de continuidade”, afirmou, frisando que Marcelo tem uma “ligação direta” com o atual Presidente, pois foi inclusive seu conselheiro de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu chamando a atenção para o facto de ter avançado com a sua candidatura numa altura em que não era sequer ainda liquido que iria ter a recomendação de voto do PSD. Em relação ao seu papel como conselheiro de Estado, disse ter discordado de Cavaco em “momentos cruciais”.

Marcelo voltou a afirmar-se como um candidato “heterodoxo e independente” que pretende fazer a ponte entre vários parceiros sociais e políticos, realçando que teve um papel crucial dentro do PSD no fim do corte de relações com o PCP ao fim de 35 anos.

A questão da venda do Novo Banco e da regulação do setor foi outro dos principais pontos do debate.

“Se as condições forem, como espero que sejam, minimamente favoráveis para aquilo que tem sido o envolvimento do dinheiro dos contribuintes, deve ser vendido”, caso contrário “o Governo que diga ao país para se repensar a situação”, afirmou Marcelo.

Edgar Silva disse que “esta é uma altura” em que surge a “imperiosa necessidade de alterar todos as regras” do setor para que o banco fique no controle público. E chamou a atenção de que “em conformidade com a Constituição o poder político deve ter o controle do poder bancário”.

Relativamente à manutenção do atual governador do Banco de Portugal no cargo, considerou que mais do que a pessoa, o que interessa alterar é o “conjunto de regras”, afirmando que, dentro do quadro atual, “parece que o supervisor” quis “agradar ao prevaricador em lugar de defender o interesse público”. “Não se pode pedir a uma raposa que fique coma responsabilidade de controlar o galinheiro”, acrescentou.

Marcelo recordou que anteriormente considerou que o atual governador esgotou a sua competência e que “devia ter saído pelo seu pé”.