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Sampaio da Nóvoa diz que não esperou por partidos, Edgar Silva considera apoio do PCP “certificado de garantia”

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Nóvoa recorreu aos ex-Presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio como exemplos do posicionamento que pretende ter, Silva defendeu a necessidade de renegociação da divida, de criar entraves às importações e disse que a integração na NATO vai contra a Constituição

Sampaio da Nóvoa terminou o frente-a-frente desta segunda-feira à noite na TVI24 a dizer que irão concordar em muita coisa durante esta campanha, após Edgar Silva ter criticado à má distribuição do capital em Portugal.

Edgar Silva começou a sua intervenção, respondendo a uma pergunta sobre o apoio que obteve do PCP, considerando tratar-se de um “certificado de garantia” e frisando que, ao contrário do seu adversário, não foi convidado para ir ao congresso do PS, acrescentando que o seu opositor não terá obtido aí os apoios que pretendia.

Sampaio da Nóvoa contra-argumentou afirmando que ao longo da sua vida cívica participou em iniciativas do PS, do BE e do PCP, mas que isso não o vinculou a nenhum desses partidos e defendeu que a sua candidatura à Presidência da Republica surge como “uma tentativa de convergência”. “É uma candidatura que nasce da cidadania, que nasce de uma decisão livre e autónoma, independente (…) sem ter esperado por partidos ou pelas eleições legislativas”, afirmara, ainda antes da intervenção do seu opositor neste frente-a-frente.

Edgar Silva referiu a produção de leite como um dos setores em que “estamos nas mãos dos grandes interesses financeiros que fazem baixar os preços”, defendendo que se criem “constrangimentos à importação de produtos” e considerando compete ao Presidente da República “exortar a uma intervenção” não só por parte dos órgãos de soberania, mas também dos parceiros sociais.

Silva manifestou-se a favor da renegociação da divida e contra a continuação da alienação de sectores estratégicos, referindo a privatização da Portugal Telecom, da Cimpor, e “a tentativa da TAP” como exemplo.

Questionado sobre se visitaria a Coreia do Norte, respondeu que “seria o último lugar do mundo onde pensaria fazer uma visita de Estado”. Quanto à sua posição relativamente à NATO, recorreu à Constituição para considerar que a participação de Portugal num bloco militar vai contra os princípios aí inscritos e argumentando que compete ao Presidente suscitar a reflexão sobre isso.

Inquirido também relativamente à participação portuguesa nas forças da NATO, Nóvoa respondeu por seu turno que se revê muito na posição que Jorge Sampaio teve durante a sua presidência na altura da intervenção no Iraque, considerando que a intervenção militar deve ser “sempre o último recurso” e “dentro do quadro dos nossos compromissos e do direito internacional”.

Por outro lado, referiu que pretende ressuscitar as presidências abertas levadas a cabo por Mário Soares. “Tentar ouvir as pessoas é também um sinal de coesão social”, afirmou.