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Mota Soares não será candidato à liderança do CDS

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José Carlos Carvalho

Ex-ministro da Segurança Social já fez saber que está fora da corrida. Tudo se decidirá entre Nuno Melo e Assunção Cristas

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A decisão está tomada e já foi comunicada pelo próprio aos seus mais próximos: Luís Pedro Mota Soares não será candidato à liderança do CDS. O anúncio deverá ser feito nos próximos dias. Na sexta-feira, dia 8, reúne o Conselho Nacional do partido, para definir a data e as regras do congresso, que deverá acontecer entre meados de março e meados de abril.

Com Mota Soares fora da corrida à sucessão de Paulo Portas, reforça-se o cenário traçado na última edição impressa do Expresso: o próximo líder do CDS será ou o eurodeputado Nuno Melo ou a ex-ministra da Agricultura Assunção Cristas. Ambos se mantêm em silêncio desde o anúncio de que Portas não se irá recandidatar - e ambos têm sido contactados por muitos centristas que lhes têm manifestado apoio.

Conforme o Expresso noticiou, Melo conta com o apoio das grandes estruturas locais do partido - à cabeça, as três maiores distritais: Lisboa, Porto e Braga - e tem sido o mais pressionado para dar esse passo. Porém, nunca quis ser líder do partido e preferia cumprir o seu mandato em Bruxelas. Por essas razões, tem resistido aos apelos que lhe vêm sendo feitos. Apesar disso, não tem recusado a hipótese de se candidatar - para já, continua em reflexão sobre o seu futuro político.

Assunção Cristas, por seu lado, já por várias vezes no passado admitiu a possibilidade de liderar o CDS caso isso seja "necessário". Ora, essa necessidade será sobretudo evidente se nenhum outro nome de primeira linha, como Nuno Melo, se candidatar. Caso contrário, a ex-ministra já confidenciou que não contribuirá para "divisões desnecessárias". Se surgirem outras soluções "boas e viáveis", Cristas poderá nem chegar a candidatar-se.

Ainda está bem presente na memória do CDS o turbulento processo de sucessão de Portas quando este se afastou em 2005, deixando uma cisão entre os apoiantes do vencedor Ribeiro e Castro e do derrotado Telmo Correia. É esse cenário que todos querem evitar que se repita - a começar por Paulo Portas que, ao anunciar a sua decisão de se afastar, pediu aos dirigentes do partido que "mantenham o nível" do debate.

Portas não fez qualquer apelo a que haja uma candidatura única ("consensos só são bons com autenticidade", disse), mas apelou à "maturidade e sentido de país e institucionalismo" de quem se candidatar. "São todos muito competitivos e, se souberem manter o nível e depois organizarem as diferenças, então o CDS pode surpreender e crescer", disse Portas, balizando uma eventual disputa da sua sucessão.

Nem Mota Soares nem João Almeida

Passado o período de festas de ano novo, e com Conselho Nacional na sexta-feira, esta será uma semana decisiva para a definição do que será o futuro do CDS. Certo é que fora dessa corrida estão já dois dos quatro nomes mais fortes para ocupar o lugar de Portas: Pedro Mota Soares e João Almeida.

Mota Soares é um dos dirigentes do CDS com maior notoriedade na geração a seguir a Portas e seria sempre um dos nomes a ter em conta para a sua sucessão. O líder cessante do CDS puxou-o sempre para a primeira linha, tendo desempenhado sucessivamente cargos de grande responsabilidade, como secretário-geral, líder parlamentar e, nos últimos quatro anos, ministro da Solidariedade e Segurança Social, áreas-chave na agenda dos centristas. Nas legislativas de 4 de outubro, Mota Soares foi o primeiro nome do CDS pelo círculo do Porto, o segundo mais importante do país.

João Almeida anunciou logo na semana passada que não será candidato à presidência do partido. Mas adiantou também que corre por fora, apresentando uma moção de estratégia global. Segundo o próprio adiantou ao Expresso, esse documento, que será escrito com uma mão-cheia de colaboradores - destacando-se entre eles Adolfo Mesquita Nunes - terá como ambição "resolver o que parece ser uma incompatibilidade para os partidos hoje em dia: dar importância às bases, ter capacidade de atrair novos quadros e chegar às pessoas que não têm uma identidade partidária".