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Henrique Neto não compreende “candidatura independente” de Maria de Belém

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No espaço de debate para as eleições presidenciais, o ex-deputado do PS acusou Maria de Belém de ser candidata de fação e afirma existir “na politica portuguesa uma certa hipocrisia em chamar as coisas pelos nomes”

O debate entre os candidatos presidenciais Maria de Belém e Henrique Neto, ambos militantes socialistas, ficou esta segunda-feira marcado por ataques do empresário à antiga ministra da Saúde, que acusou de ser uma candidata de fação dentro do PS.

No frente-a-frente televisivo, transmitido pela RTP1, Henrique Neto afirmou não compreender a “candidatura independente” de Maria de Belém, quando a adversária já “assumiu cargos políticos pelo PS”, nomeadamente a presidência do PS.

“É difícil compreender alguém que foi durante seis anos ministra do PS, que foi até há relativamente pouco tempo presidente do PS, que foi escolhida por uma fação, de um grupo dentro do interior do partido (...), se apresenta ao país como uma candidata independente”, defendeu.

Em resposta, Maria de Belém negou ser “candidata de fação”, defendendo que “as candidaturas resultam de uma iniciativa e impulso de cidadania, e devem ser independentes dos partidos”.

Por sua vez, o antigo deputado do PS considerou a sua candidatura mais independente, argumentando: “Quando apresentei a minha candidatura disse ao que vinha. Não tive cargos políticos no PS desde 99. Não informei o PS da minha candidatura, não pedi apoio”.

“Acho mal que haja na política portuguesa uma certa hipocrisia em chamar as coisas pelos nomes”, disse Henrique Neto, classificando a situação como um “um problema de verdade”.

A ex-ministra da Saúde ripostou: “No meu exercício público e político sempre fui uma candidata que defendeu a verdade e teve palavra de honra”.

“Todos temos legitimidade para nos candidatarmos (...). A vida de cada um de fala por si e a minha vida falar por mim”, afirmou Maria de Belém.

“O Presidente da República deve ser um construtor da estabilidade”

Numa visão sobre o país, Henrique Neto partilhou a opinião de que um bom Presidente da República deve “prever os acontecimentos negativos”, considerando que Portugal encontra-se num ponto “em que já não é possível resistir a mais erros”.

O candidato às eleições presidenciais verificou “com tristeza” que a governação do país tem sofrido muitas turbulências, entrando assim em acordo com Maria de Belém, que considera que a “estabilidade” deve ser a preocupação principal.

“O Presidente da República deve ser um construtor da estabilidade, no sentido da recuperação institucional”, acrescentou a adversária.