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Retificativo e Forças Armadas separam Maria de Belém e Marisa Matias

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“O que me separa da Marisa Matias, mais do que qualquer outra coisa é o tempo de vida e de experiência”, disse Maria de Belém. Candidata do BE recusa “concurso de antiguidade”

A promulgação do Orçamento Retificativo, o envio de tropas portuguesas para o estrangeiro e o estatuto dos deputados foram os principais pontos de divergência entre Maria de Belém Roseira e Marisa Matias, no debate entre as candidatas presidenciais.

No frente-a-frente transmitido pela TVI24 e conduzido pelo jornalista Paulo Magalhães, as duas únicas mulheres que se candidatam às eleições de 24 de janeiro começaram por explicar as razões que as levaram a entrar na corrida à Presidência da República, com Maria de Belém Roseira a invocar a sua experiência de "40 anos de vida pública".

"O que me separa da Marisa Matias, mais do que qualquer outra coisa é o tempo de vida e de experiência", disse a ex-presidente socialista, que de imediato viu Marisa Matias, que tem apenas 39 anos, recusar ver as eleições presidenciais como "um concurso de antiguidade".

"Não encaro a Presidência da República como um prémio de carreira", enfatizou a candidata apoiada pelo BE, que apontou a forma de ver o Estado Social como uma das diferenças que existe entre a sua candidatura e a da ex-presidente do PS. "Eu não votaria medidas de redução do abono de família (...) e jamais assinaria de cruz um Orçamento que retira três mil milhões de euros aos portugueses", disse Marisa Matias, numa referência aos cortes introduzidos pelo Governo socialista de José Sócrates e ao Orçamento Retificativo aprovado pelo executivo de António Costa.

A este propósito, Maria de Belém Roseira, que já revelou que promulgaria o Retificativo, falou ainda sobre o Orçamento do Estado para 2016, recusando a ideia de estar a passar um 'cheque em branco' a António Costa ao anunciar previamente que daria 'luz verde' ao documento.

"De acordo com as medidas anunciadas, sendo natural que não se verifique nenhum problema de constitucionalidade, nesse caso deve ser promulgado", disse Maria de Belém Roseira, que aproveitou para perguntar diretamente a Marisa Matias o que faria caso a Assembleia da República confirmasse o Orçamento Retificativo depois de um primeiro veto presidencial.

Na resposta a eurodeputada insistiu que "devolveria o debate à Assembleia da República sem problema nenhum", por entender que estava a defender o país. "Temos de ter alguém que defenda o país, entristece-me ver políticos tão experientes a desistir do país", sublinhou.

"O Estado Social pode defender-se de muitas maneiras", contrapôs Maria de Belém Roseira, exemplificando com o caso do aumento das taxas moderadoras, que classificou como "absolutamente inaceitável".

Cargos públicos e cargos privados

Já na reta final do debate, Maria de Belém Roseira voltou a ser confrontada com a questão de ter sido consultora da Espírito Santo quando presidia à comissão parlamentar de Saúde, com Marisa Matias a confirmar que se trata de uma situação legal, mas a manifestar o seu profundo desacordo com a possibilidade do titular de um cargo público poder acumular outro cargo. "É uma questão política", reconheceu, insistindo que "sendo legal" não concorda com a lei que permite a acumulação de cargos.

Maria de Belém Roseira, que já tinha sido confrontada com esta questão no debate com o candidato Paulo Morais, recordou que em Portugal os deputados não são obrigados a estar em regime de exclusividade e garantiu defender "o interesse público intransigentemente". "A presidente da comissão parlamentar de Saúde não decide nada", acrescentou.

O último tema abordado pelas candidatas foi a participação de tropas portuguesas em missões no estrangeiro, com Marisa Matias a dizer ser "completamente contra".

"Conheço muito bem os territórios da guerra, falo por conhecimento no terreno", afirmou, dizendo ter uma posição semelhante ao antigo Presidente da República Jorge Sampaio, que em 2003 recusou o envio de tropas para o Iraque.

A ex-presidente do PS defendeu, por outro lado, que os compromissos que existem no âmbito da União Europeia e da NATO devem manter-se, embora concordando com Marisa Matias que o problema do petróleo e da venda de armas não pode continuar a ser encarado com passividade.