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Marcelo: “Ainda bem que as candidaturas presidenciais não são partidárias”

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Rui Duarte Silva

O mesmo defenderam Tino de Rans e Jorge Sequeira, no debate de sexta-feira à noite. O frente-a-frente deveria ser a quatro, mas Cândido Ferreira abandonou o programa logo nos primeiros minutos

Os candidatos presidenciais Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva (Tino de Rans) e Jorge Sequeira assumiram-se como independentes de máquinas partidárias, durante um debate televisivo marcado pelo abandono, em direto, de Cândido Ferreira, por discordar do modelo imposto.

No início do debate, na estação TVI24, o candidato Cândido Ferreira, após ler uma carta, na qual considerava "discriminatório" o modelo dos debates, o tratamento e o tempo de antena dado a todos os candidatos à Presidência da República, levantou-se a abandonou o programa, em direto.

Com o debate reduzido a três candidatos, Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva, conhecido por Tino de Rans, e o psicólogo Jorge Sequeira, a discussão decorreu de forma serena, durante a qual foram muito mais as semelhanças do que as diferenças entre as três candidaturas, que recusaram estar dependentes de partidos políticos.

"Ainda bem que as candidaturas presidenciais não são partidárias", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa, para quem o facto de haver dez candidatos a Belém é "sinal de mais democracia".

Tino de Rans, antigo presidente da Junta de Freguesia de Rans, concelho de Penafiel, distrito do Porto, eleito pelo Partido Socialista (PS), assumiu que dispensaria o apoio do PS.

"Mesmo que o PS me quisesse apoiar eu não queria. Não quero estar ligado às máquinas políticas. Quero ser um Presidente da República livre, sem estar hipotecado a ninguém. Os políticos têm de deixar de ser uma vedeta", frisou o também calceteiro na Câmara Municipal do Porto, que entretanto suspendeu as funções para se dedicar à campanha eleitoral.

Tino de Rans diz que não se "identifica com o PS, nem com o seu secretário-geral, António Costa", nem com os candidatos presidenciais Henrique Neto e Maria de Belém.

Já o candidato Jorge Sequeira apelou a uma maior responsabilização e defendeu uma aposta na meritocracia em detrimento da partidocracia, considerando um "ato de coragem" a apresentação de dez candidaturas.

"Sou um político apartidário. Não quero viver num país em que a política seja dada apenas aos políticos. Assim a democracia sai coxa", sustentou o psicólogo.

Em relação a uma eventual revisão da Constituição, nomeadamente no que diz respeito aos poderes atribuídos ao Presidente da República, Jorge Sequeira e Marcelo Rebelo de Sousa têm a mesma opinião: os poderes são suficientes e a Constituição serve vezes demais de "bode expiatório" e de "desculpa" para os políticos e principalmente para quem Governa.

Questionado sobre quem é o seu principal adversário, Tino de Rans não tem dúvidas.

"É este homem que está aqui ao meu lado", afirmou, apontando para Marcelo Rebelo de Sousa. "Vamos estar frente a frente na segunda volta. Temos muita força e sinto isso no terreno", assegurou o calceteiro, acrescentando que, caso seja eleito, "vai devolver o Palácio de Belém" ao povo, pois é muito grande para apenas uma família.

Jorge Sequeira disse, por seu lado, que não se candidatou a Presidente da República "para jogar às damas", garantindo que é o "homem certo para o lugar incerto".

"Tenho um sonho", disse, repetindo a mesma frase em inglês, "I have a dream", antes de acrescentar: "Não deixem que pequenas pessoas matem sonhos grandes".

O debate teve início às 23h30 de sexta-feira e terminou pelas 00h15 de sábado.