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“O tempo é de incerteza”, diz Cavaco Silva

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RAFAEL MARCHANTE / REUTERS

Disse-o na mensagem e Natal, repete-o agora na de Ano Novo: para o Presidente da República, os tempos são de incerteza. Portugal tem o dever de defender o modelo político, económico e social que mantém há décadas, afirma

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Foi, depois de dez anos, a última mensagem de Ano Novo do Presidente Cavaco Silva. Uma mensagem com sabor a despedida, lembrando os muitos roteiros que o levaram a percorrer o país e a contactar os portugueses de perto, mas onde não deixa de assinalar um derradeiro recado: que o tempo que vivemos é de incerteza.

É difícil não ler também aqui uma mensagem ao poder político. É neste contexto de incerteza que o Presidente afirma que Portugal “tem o dever de defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça” e ainda de “renovar o contrato de confiança entre todos os Portugueses”. O qual, segundo Cavaco Silva, “constitui a maior razão para acreditarmos num futuro melhor”.

Lembrando a vitalidade demonstrada pela sociedade civil “em tempos muito difíceis”, o Presidente afirma em outro passo do seu discurso que os portugueses “não exigem o impossível nem pedem muito ao seu país”, mas tão só que “o Estado crie condições para que possam desenvolver o seu trabalho e, depois, que os poderes públicos não estabeleçam entraves à sua atividade, desde a criação de emprego e riqueza até à defesa do património e do ambiente, passando pela inovação social e tecnológica”.

Combater as desigualdades

O país real, segundo Cavaco Silva, “tem por adquiridos os princípios da liberdade e da democracia, identifica-se plenamente com os valores civilizacionais do Ocidente e com o modelo de desenvolvimento económico e social da Europa”, vinca o Presidente.

Cavaco Silva considera ainda fundamental o combate contra as desigualdades e situações de pobreza e exclusão, que considera que continuam a afetar um grande número de cidadãos, como “os idosos mais carenciados, os desempregados ou empregados precários, os jovens qualificados que não encontram no seu país o reconhecimento que merecem”.

Fazendo um paralelismo com os retornados de há 40 anos, o Presidente recorda os refugiados e afirma que “Portugal tem o dever de acolher” quem o procura, para se integrar na sociedade e ”partilhando os valores e princípios” da democracia e da liberdade, da tolerância e da dignidade.