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Edgar Silva viabilizaria retificativo, Henrique Neto defende estabilidade

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Edgar Silva afirmou que nas circunstâncias atuais teria viabilizado o documento, ao contrário do que fizeram os comunistas, que votaram contra no Parlamento. Henrique Neto, por seu lado, defendeu "a estabilidade das políticas". Os dois candidatos distanciaram-se de Cavaco Silva, que consideraram "feito" com os "grandes especuladores" e as políticas dos últimos 20 anos

O candidato presidencial comunista viabilizaria o orçamento retificativo apresentado pelo Governo socialista e o seu concorrente Henrique Neto defendeu "a estabilidade das políticas", numa visão estratégica para Portugal, em debate televisivo.

Na TVI24, Edgar Silva e o empresário Henrique Neto distanciaram-se ainda do atual Presidente da República, Cavaco Silva, que consideraram "feito" com os "grandes especuladores" e as políticas dos últimos 20 anos, comentando a mensagem de Ano Novo do Chefe de Estado.

"Apesar de profundas reservas, de discordâncias de fundo, a nível pessoal, com benefício da dúvida, enquanto Presidente da República, considerava que se poderia impor como necessária a viabilização deste documento", assumiu o membro do Comité Central do PCP, questionado sobre o voto contra dos comunistas no Parlamento, face ao orçamento retificativo que o executivo de António Costa apresentou no contexto da situação do Banif.

Edgar Silva, insistiu nas críticas à "viscosidade da economia da corrupção", "clientelismo" e "desigualdade perante a Lei", que desvirtuam o Estado de direito democrático, "plasmado na Constituição da República Portuguesa", e apresentou-se como "um Presidente, em primeiro lugar, português, um democrata, que cumpre o que jura - defender cumprir e fazer cumprir a Constituição".

"O Presidente deve defender acima de tudo a estabilidade política e a estabilidade das políticas", sustentou, por seu turno, Henrique Neto, mostrando-se crente numa boa relação com o primeiro-ministro e secretário-geral do partido de que é militante, o PS, embora um Presidente não tenha de ser "surdo, cego e mudo", e pode sugerir "uma visão estratégica" para o país.

Sobre aquela que terá sido a última comunicação ao país de Cavaco Silva, Henrique Neto disse que o atual Presidente da República, "às vezes, foi, outras não foi [independente]", face à sua família política, aproveitando para esclarecer que, ele mesmo - Henrique Neto -, "apesar de filiado num partido" socialista, está "como independente de lóbis, interesses, organizações".

"Ter elogiado muito o modelo político que temos vivido e que, ao longo de 20 anos, conduziu para o empobrecimento, esta promiscuidade entre política e negócios, os GES, o BPN, o BPP, o Banif... Elogiar o sistema que conduziu a todos estes processos, é porque ou não compreendeu o país ou então, como diz o povo, está feito com isso", criticou o empresário, referindo-se a Cavaco Silva.

Para o antigo padre e deputado regional madeirense do PCP, a mensagem de Cavaco "é feita de um conjunto de lugares comuns que estão muito distantes daquilo que é o país real", pois "omite diretas responsabilidades no conjunto de políticas que trouxeram a Portugal mais exploração e empobrecimento", nomeadamente as suas "conivências" com os "interesses dos grandes especuladores agiotas, alheios a Portugal".

"Portugal não precisa de alguém que dê continuidade a este conjunto de compromissos do Presidente, que esteja vinculado a estas políticas", adiantou, numa clara referência a outro candidato, o antigo presidente do PSD e comentador político Marcelo Rebelo de Sousa.

Instado por Henrique Neto a pronunciar-se sobre uma alteração à lei eleitoral de forma a serem adotados os círculos uninominais, com os deputados à Assembleia da República a serem escolhidos pelos cidadãos, em vez das "listas fechadas elaboradas pelos diretórios partidários", Edgar Silva defendeu não ser justo fazer generalizações sobre o desempenho de todos os parlamentares, acrescentando tratar-se de um problema, talvez em partidos como o PS, pois há muitos deputados com grande relação de proximidade com os respetivos eleitorados.