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Portas na hora da saída: “Não tenham medo, confiem, o CDS vai ser capaz”

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

No anúncio público da sua saída de cena, Portas defendeu a mudança de geração no CDS e apontou para “gente que talvez tenha menos passado mas que seja focada em soluções realistas”. E distinguiu o seu caso do de Passos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

“Dar um salto em frente quando um novo ciclo político se abre” – esta foi a grande capacidade do CDS que Paulo Portas elogiou esta madrugada, na hora de anunciar publicamente a sua saída de cena enquanto líder dos centristas. Mais de quatro horas depois do início de uma comissão política em que pôs um ponto final no seu ciclo de presidência do partido, Portas resumiu perante os jornalistas os argumentos que havia apresentado perante os dirigentes do CDS – e que o Expresso adiantou ontem em primeira mão.

Defendeu que o anúncio de que não se volta a recandidatar à liderança “não deve ser olhado como um problema mas como uma oportunidade” pois “traz ao CDS renovação e não apenas continuidade”. Será, disse, a ocasião para o partido “renovar a sua liderança, reposicionar a sua estratégia, recomeçar a sua luta, reflectir num novo projeto e numa nova agenda”. Tudo isso com uma nova chefia, que será escolhida no próximo congresso, a realizar muito provavelmente em meados de abril.

Quem quer que seja o futuro líder – há quatro nomes na pole position: Nuno Melo, Assunção Cristas, Pedro Mota Soares e João Almeida – a mudança para a geração seguinte é, para Portas, uma certeza. “Tenho há muito tempo uma grande esperança na nova geração do CDS e acho que chegou o tempo de, no ciclo politico novo, dar grandes responsabilidades à nova geração”. Portas prometeu, no entanto, “total isenção”, sem se intrometer nessa escolha.

As conversas com Passos

Para a sua a decisão de não se voltar a candidatar, Portas invocou, conforme o Expresso havia noticiado, os quase 16 anos que já leva à frente do partido, garantindo que “é tempo que baste”. Mais: “se me candidatasse agora, teria de estar disponível não para um mandato de dois anos, mas provavelmente para vários mandatos de vários anos: os da oposição e da reconquista, e os do regresso do centro-direita ao governo, caso o povo assim o entendesse”. Isso levaria a liderança “para lá de 20 anos de exercício, o que não é politicamente desejável”.

Mais: o líder cessante revelou que já tinha informado Passos sobre a sua vontade de sair, mesmo que a coligação voltasse a formar governo. Nesse caso, diz que “com tempo [teria] aberto a sucessão”.

Portas assegurou que informou Passos desta decisão e agradeceu-lhe enquanto parceiro de coligação. E fez questão, por outro lado, de distinguir a sua decisão de se retirar da decisão de Passos recandidatar-se. “As nossas circunstâncias são diferentes e para isso basta verificar há quanto tempo cada um de nós é líder do respetivo partido” – não o disse, mas é a diferença entre os cinco anos e meio de Passos e quase o triplo de Portas.

Lugar aos novos

Sobre a sucessão, o líder cessante puxou pelos galões, por ter dado espaço a novos valores do partido, aos quais proporcionou “experiência de parlamento, experiencia de administração e experiência de governo”. “O CDS tem neste momento a melhor e mais preparada nova geração de políticos. Ao dar este passo estou a facilitar o futuro”, afiançou.

Embora sem apontar nomes ou perfis claros, deixou aos militantes do CDS uma nota que pode ser importante na definição de que lhe poderá suceder: “Pensem mais a médio prazo”, pediu-lhes, e “percebam que as pessoas querem gente que talvez tenha menos passado mas q sejam focados em dar-lhes soluções realistas e verdadeiras com futuro”.

Reconhecendo que abriu um processo que poderá preocupar a “gente do CDS”, deixou-lhes uma última palavra: “Não tenham medo, confiem, o CDS vai ser capaz”.