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Portas de saída: “Foi uma honra estar sob a liderança de um dos maiores políticos europeus”

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Ana Baião

Hélder Amaral, vice-presidente da bancada do CDS-PP, deixa grandes elogios a Portas e faz um pedido para o que aí vem: “Não sou favorável a que, no momento em que o partido precisa de parar para pensar, que no grupo parlamentar se alterem as regras para transformar os debates quinzenais com o primeiro-ministro numa pré-nomeação de candidatos

Hélder Amaral defendeu esta segunda-feira que a saída de Paulo Portas da presidência do partido deve ser encarada com "serenidade e normalidade" e sublinhou que o parlamento não deve ser "palco de disputas".

"Foi uma enorme honra, privilégio e mesmo sorte ser dirigente, militante e deputado sob a liderança do doutor Paulo Portas, que é um dos maiores políticos europeus e o melhor líder que o CDS já teve. Quer pelo respeito que lhe tenho, quer pela amizade, penso que devemos respeitar a decisão, que deve ser encarada com normalidade e serenidade", declarou Hélder Amaral, contactado pela agência Lusa.

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, comunicou na segunda-feira à comissão política nacional que não se recandidatará à liderança do partido, pondo fim no congresso do próximo ano a mais de uma década de presidência centrista.

Hélder Amaral defende que o anúncio da saída de Paulo Portas da presidência do CDS-PP significa que "o tempo agora é dos militantes do partido, que devem estar gratos mas devem pensar no futuro, com bom senso e serenidade".

"Uma reformulação da estratégia, de lideranças e do que queremos para o país e para o partido faz-se de forma serena e junto dos militantes. São eles que vão decidir. Até lá, o partido tem mecanismos estatutários para garantir o seu funcionamento até ao próximo congresso", disse.

Hélder Amaral considera ainda que "não é o momento para alterar o funcionamento do grupo parlamentar", defendendo que se Paulo Portas optar por deixar o seu lugar no parlamento ou por não intervir nos debates quinzenais com o primeiro-ministro, deve ser o líder parlamentar a fazê-lo.

"Não sou favorável a que, no momento em que o partido precisa de parar para pensar, que no grupo parlamentar se alterem as regras para transformar os debates quinzenais numa pré-nomeação de candidatos" a líder, afirmou.

Hélder Amaral referia-se a notícias, ainda não confirmadas oficialmente, que dão conta da alegada intenção de Paulo Portas de colocar, em regime de rotatividade, seis deputados a interpelar o primeiro-ministro nos debates quinzenais na Assembleia da República a partir de janeiro.

"Não faz sentido. O partido deve escolher o líder em congresso, com os militantes. Neste momento em que o partido precisa de pensar que tipo de liderança é que precisa, e que tipo de estratégia é que o país precisa, o parlamento não deve ser um palco de disputa de possíveis líderes, isso seria não respeitar os militantes", defendeu o vice-presidente da bancada centrista.

"Espero que o doutor Paulo Portas até ao próximo Congresso possa exercer o seu mandato como sempre fez. E não vejo que tenha que ser alterado o funcionamento no grupo parlamentar", reforçou.

Questionado sobre qual o perfil de liderança que o CDS-PP deve escolher para o atual ciclo político, o deputado recusou falar em nomes e frisou que quer a estratégia, quer o perfil de liderança são matérias para debate entre os militantes.