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Maria de Belém: “Cortes na saúde não podem ser acríticos”

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Mário Cruz/ Lusa

A candidata presidencial defendeu que o mais importante é as instituições “estarem preparadas para as emergências e para as urgências”. “"Quando nos entra pela porta dentro uma pessoa em risco de vida nós não podemos ir ver se há cobertura orçamental, temos de a tratar”, acrescentou

A candidata presidencial Maria de Belém Roseira defendeu este domingo que "os cortes na saúde não podem ser acríticos" e que dar prioridade aos equilíbrios financeiros nesta área pode pôr em causa o tratamento urgente de doentes.

"Os cortes na saúde não podem ser acríticos. Têm que ser cortes naquilo que não faz falta ou naquilo que está a ser mal gasto, nunca naquilo que tem de ser posto ao serviço dos cidadãos", afirmou Maria de Belém Roseira aos jornalistas, durante uma visita à feira da Brandoa, no concelho da Amadora, e um dia depois do candidato Marcelo Rebelo de Sousa visitar a urgência do Hospital de São José, em Lisboa.

Sem querer pronunciar-se sobre a morte de um homem de 29 anos no São José, alegadamente por falta de neurocirurgiões ao fim de semana, a candidata defendeu que "priorizar equilíbrios financeiros, sobretudo através de uma lei [dos compromissos] que assaca responsabilidades financeiras a quem está à frente das instituições se não cumprir determinados procedimentos pode pôr em causa aquilo que é muito importante nas instituições, que é estarem preparadas para as emergências e para as urgências".

"Quando nos entra pela porta dentro uma pessoa em risco de vida nós não podemos ir ver se há cobertura orçamental, temos de a tratar. Penso que isso é o mais importante, o que quereríamos para cada um de nós, dos nossos filhos ou filhas, dos nossos pais, das pessoas da nossa família, mas que também queremos para qualquer outra pessoa que não conheçamos mas que sabemos que tem direito a viver", afirmou.

"Quando vemos que há pessoas que morrem porque não houve assistência é algo com que não nos podemos conformar. Temos as pessoas preparadas, temos os meios todos e, portanto, precisamos de os pôr ao serviço das pessoas", frisou a antiga ministra da Saúde.
A 14 de dezembro um jovem de 29 anos, David Duarte, morreu no Hospital de São José, depois de ter sido internado no dia 11, tendo-lhe sido diagnosticado uma hemorragia cerebral provocada por um aneurisma, necessitando de uma intervenção cirúrgica rápida.

Desde então, a urgência metropolitana de Lisboa está sob 'fogo'. A prevenção aos fins de semana da Neurocirurgia-Vascular estava suspensa desde abril de 2014 e da Neurorradiologia de Intervenção desde 2013.

"Vivemos na Europa, vivemos num país desenvolvido, que tem um Serviço Nacional de Saúde excelente, que deve continuar a ser excelente, porque um país com um Serviço Nacional de Saúde excelente é com certeza um país excelente também", declarou Maria de Belém Roseira.

Sempre sublinhando a necessidade de se aguardar a conclusão dos inquéritos em curso, do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos, a candidata à Presidência da República adiantou, além da crítica à lei dos compromissos, a ideia de que as políticas de aposentação dos médicos estarão a conduzir a "desequilíbrios na distribuição de recursos humanos".

Maria de Belém argumentou que essas políticas tratam da mesma maneira pessoas com formação altamente especializada e que teve financiamento público: "Temos de tratar esses recursos humanos com muito cuidado e como uma prioridade", disse.