Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

“Não me preparei de pequenino para ser PR”

  • 333

Jose Carlos Carvalho

Entrevista a Edgar Silva, candidato à Presidência apoiado pelo PCP

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Texto

Jornalista da secção Política

Rosa Pedroso Lima

Rosa Pedroso Lima

Texto

Jornalista

Quando foi convidado para ser candidato, pediu “um tempo para pensar”. Não se tinha preparado para isso, mas aceitou o desafio. Porque acredita que o mundo está a mudar. E o PCP também.

Ficou surpreendido quando o Comité Central o escolheu para candidato?
Fiquei, sim. Fui contactado logo nos primeiros dias de setembro e foi-me perguntado se estaria disponível. Foi uma surpresa, porque sou da Madeira e tinha sido eleito deputado ao Parlamento Regional há relativamente pouco tempo. Com um novo Governo e outra correlação de forças estava particularmente empenhado em desenvolver propostas e iniciativas no quadro da região. Quando a questão me foi colocada, surpreendeu-me porque isso implicava repensar um conjunto de compromissos e de projetos em que estava diretamente envolvido.

Qual foi a sua primeira reação?
Foi a de pedir um tempo para pensar. A decisão levantava questões de ordem política, mas também familiar. Isto implicou uma alteração de fundo na minha vida. A minha família está lá e, então, tive de tratar de questões do quotidiano, tive de colocar tudo à consideração deles.

Portanto, não era uma coisa que estava nas suas previsões.
Ah, não! Não sou como aqueles que, desde pequeninos, se prepararam para ser Presidente da República. Preparei-me, sim, durante muitos anos, para estar no meio dos mais pobres, junto dos mais explorados na sociedade. Preparei-me muito e em várias fases da vida para essa inserção na causa dos mais pobres. Essa foi a minha única preparação...

E que leitura faz da escolha do seu partido? É o primeiro candidato presidencial que não faz parte da comissão política, que não é um histórico.
É verdade que não sou um histórico do PCP. Até só me tornei militante muito mais tarde, em 1998. Tive outro percurso.

O perfil do candidato presidencial do PCP mudou. É um novo ciclo?
Acho que, hoje há uma linha política de responsabilização de novos quadros. Eu integro-me nessa linha, que, aliás, atravessa a sociedade portuguesa. Acho que 40 anos depois de Abril há uma natural procura de responsabilização de pessoas que, na altura da revolução, eram praticamente crianças. É natural que neste processo evolutivo das sociedades essas gerações surjam.

Há um novo ciclo da vida política que também abrange o PCP?
É possível identificar uma linha de renovação e de rejuvenescimento. Acho que sim.

Outra interpretação seria que o PCP não quis valorizar demasiado estas eleições, jogando uma carta menos alta...
É uma opinião. Noutras situações, o PCP apoiou outros candidatos com outras responsabilidades no partido que nem sempre foram até ao fim. E eu, não tendo essas responsabilidades, tenho a certeza de que esta candidatura vai até ao voto. Esta candidatura tem uma dinâmica de abertura à sociedade e está imbuída do projeto de encontrar outros interlocutores, de estabelecer uma mais vasta base de aliança política, com homens e mulheres que estão muito além das fronteiras do PCP.