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Passos quer PSD a viabilizar solução de Costa para o Banif

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Marcos Borga

Deputados do PSD ainda se reunem esta quarta-feira de manhã mas Passos não quer abrir uma crise agora nem ficar responsável pela falência do banco. Abstenção chega para viabilizar OE retificativo

A direção parlamentar do PSD ainda quer ouvir os deputados, hoje de manhã, antes da votação do Orçamento Retificativo que vai acomodar a resolução do Banif, mas deverá ser pouco mais do que um proforma. Confirmando-se o voto contra do PCP e do BE, Passos Coelho não quer ficar responsável por abrir uma crise política que envolva estabilidade do sistema financeiro e o PSD deverá "salvar" a solução de António Costa, abstendo-se na votação do seu primeiro Orçamento.

O desconforto entre deputados sociais democratas era ontem evidente, nomeadamente por Passos ter vinculado de alguma forma o partido ao dizer que não teria uma solução muito diferente da adotada pelo atual Governo para o banco. "Não havia necessidade de ir tão longe", comentava-se nos bastidores, enquanto o líder parlamentar, Luis Montenegro, garantia estar ainda tudo em aberto e endossava aos partidos à esquerda do PS a responsabilidade de salvar o Orçamento Retificativo que hoje de manhã vai a votos.

Ontem, das reuniões da Comissão Permanente e Comissão Política do PSD não saíu uma posição fechada sobre o assunto.Mas Passos Coelho já sinalizou internamente não querer alimentar jogadas políticas à custa da estabilidade do sistema financeiro.Em surdina, há quem o acuse de "ainda não ter percebido que já não é primeiro-ministro mas líder da oposição" e de estar a deixar o partido em maus lençóis. Daí que o líder parlamentar tenha querido ganhar tempo, adiando uma decisão para a hora da votação.

Em coerência com o que sempre defenderam, os sociais-democratas preferiam uma solução para o banco que, tendo mais custos para o sistema bancário, onerasse menos os contribuintes. Foi esse o caminho seguido no Novo Banco e foi sempre esse o discurso de Passos e Maria Luís Albuquerque. Daí o embaraço pela rapidez com que o lider veio agora dar cobertura à solução encontrada para o Banif.

Mas Passos sabe que a esquerda o responsabilizará pela situação do banco - a audição do ministro das Finanças, Mário Centeno, ontem, no Parlamento, só o veio confirmar.Também sabe que ele próprio e a sua ex-ministra das Finanças estarão sob apertado escrutínio na comissão de inquérito que irá avançar a todo este caso. E não quererá oferecer de bandeja argumentos para ser ele a abrir uma crise em torno de um tema tão sensível para o seu lado.

A bancada social democrata deverá, por isso, acabar por dar a mão a Costa se os parceiros 'a esquerda lhe faltarem. Embora não concorde com os termos em que a resolução do Banif foi desenhada e muito menos com o registo de passa culpas face ao anterior Governo com que o novo ministro das Finanças a apresentou, o PSD não quererá ficar responsável pela falência do banco nem por abrir uma crise política tão cedo, muito menos em cima das presidenciais.

Quando Passos passou a pasta ao seu sucessor, o dossiê Banif foi devidamente conversado - o próprio disse ontem que o PS estava "informado" e que "não houve secretismo" nenhum. E embora antes também tivesse dito que se Costa algum dia precisasse dele para aprovar questões essenciais devia pedir desculpa aos portugueses e demitir-se, este não parece ser nem o momento nem o tema considerados ideias pelo ex-primeiro ministro para passar a ameaça à prática.

Na verdade, ele nunca disse o que entendia por "questões essenciais". E deixará, tudo indica, a hora do confronto para o Orçamento de Estado do próximo ano.