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Passos invoca “interesse nacional”: PSD abstém-se no OE Retificativo

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Marcos Borga

Alguns deputados sociais-democratas preferiam votar contra o Orçamento decorrente da resolução do Banif, mas prevaleceu a posição de Passos Coelho.Todos os partidos votaram contra menos o PSD, o que permitiu aprovar o Retificativo

O PSD decidiu abster-se na votação do Orçamento Retificativo decorrente da resolução do Banif. A defesa do “interesse nacional” foi um dos argumentos avançados por Pedro Passos Coelho na reunião que teve esta quarta-feira de manhã com os deputados do partido. Desta forma, os sociais-democratas - ao contrário de PCP, BE, PAN e CDS, que votaram contra - deixam passar a solução encontrada para o banco, que terá, como António Costa referiu, “custos significativos” para os contribuintes.

Alguns deputados do PSD preferiam votar contra a decisão do Governo socialista, mas prevaleceu a posição do líder que, além do mais, assumiu que não teria uma solução muito diferente daquela que António Costa anunciou ao país para o banco.

“O Governo agiu com inteligência e procurou salvaguardar a estabilidade financeira, os depositantes e os obrigacionistas do Banif”, afirmou Passos Coelho na terça-feira, indiciando já que não tencionava votar contra a solução do novo Governo.

Eis a frase do líder que condicionou o PSD: “Com a experiência que tenho, até porque sei o que pensa a Direção-Geral de Concorrência e sei o que tem sido a abordagem do Banco Central Europeu nestas matérias, admito que não teria uma solução muito diferente desta que foi adotada, na medida em que não foi possível identificar ao longo destes anos um comprador para o Banif”.

Passos Coelho apenas contestou a tentação do Governo socialista de entrar num jogo de passa culpas e considerou “absurdo” que se diga que o problema não foi resolvido mais cedo porque o anterior Governo queria uma “saída limpa do programa”. “O problema do Banif era um problema que era conhecido e que era conhecido do PS e de toda a sociedade portuguesa - não houve nenhum secretismo", afirmou.

Com a abstenção do PSD e o voto contra do CDS o Parlamento assistiu ao primeiro desencontro entre os dois partidos, nesta fase pós-coligação.

Filipe Santos Costa