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Ministro da Saúde considera incompreensível morte do jovem que não teve assistência médica

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Marcos Borga

Adalberto Campos Fernandes afirma que em causa não está apenas uma questão de restrição financeira (que foi “longe demais em alguns casos”), mas “claramente” um “problema de organização dos meios”. David Duarte, de 29 anos, morreu no Hospital de São José porque a equipa médica que o podia salvar não trabalha ao fim de semana

O ministro da Saúde classificou esta quarta-feira de "incompreensível"” a morte de um jovem no Hospital de São José, por falta de assistência especializada, que considera não se tratar "apenas de uma questão financeira", pois outras regiões garantem esta prontidão.

"Não é apenas uma questão de natureza financeira e de recursos. No país, o Norte e o Centro funcionam sem problemas. Trata-se claramente de um problema de organização dos meios", disse aos jornalistas Adalberto Campos Fernandes, no decorrer de uma visita ao Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

A propósito da morte de um jovem no Hospital de São José, em Lisboa, por alegada falta de assistência especializada - que já levou à demissão dos administradores dos centros hospitalares de Lisboa Central (CHLC) e do norte (CLHN), bem como do presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo - o ministro garantiu que este constrangimento já foi "ultrapassado".

"É incompreensível o que aconteceu e não pode voltar a acontecer", disse Adalberto Campos Fernandes, afirmando que "a restrição financeira da saúde, em alguns casos, foi longe demais", mas que, neste caso, "não se trata apenas de uma questão financeira".

Para o ministro, "o Serviço Nacional de Saúde (SNS) sofreu de uma forma transversal e em áreas que deviam ter sido poupadas". "A nossa obrigação é continuar com a máxima energia a reconstruir o SNS, no sentido de garantir que a prontidão está assegurada e os portugueses podem confiar no SNS".

Desde terça-feira, altura em que o ministro da Saúde terá tido conhecimento do caso, foi determinado que o constrangimento fosse ultrapassado.

"A situação tem dois anos e tem a ver com a possibilidade de ter equipas completas de prontidão de fim de semana para responder ao número de casos", afirmou.

"O que os dirigentes dos hospitais e o da ARS [de Lisboa e Vale do Tejo] garantiram é que se iam articular para que a resposta e a prontidão fosse assegurada de imediato. Significa que terá de ser feito o que tem de ser feito", acrescentou o governante.

Adalberto Campos Fernandes afirmou contar que, a partir desta semana, "a circunstância desta resposta esteja assegurada".

Questionado sobre o facto de o doente não ter sido transportado para outras unidades onde existe esta assistência especializada, o ministro explicou que, "do ponto de vista clinico, estes doentes têm sério risco de vida quando são transportados para distâncias excessivas, o que não seria o caso de uma deslocação entre o CHLC para o CHLN".

Para já, o ministro aguarda o "relatório circunstancial" que solicitou ao CHLC, a que pertence o Hospital de São José, e que deverá chegar às suas mãos ainda esta quarta-feira.

Sobre as demissões, Adalberto Campos Fernandes disse tratar-se de "um facto novo": "Pela primeira vez os dirigentes assumem uma atitude ética de desprendimento dos lugares. Assumem que alguma coisa não correu bem. É um sinal novo na democracia e da gestão do SNS".

Sem revelar os nomes de substitutos destes dirigentes demissionários, o ministro disse que ainda aguardava o resultado das investigações a decorrer para decidir sobre esta matéria.