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Cavaco: “governação ideológica” acaba sempre por ser “derrotada pela realidade”

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ANT\303\223NIO COTRIM / LUSA

Presidente aponta a crise grega e o terceiro resgate como “exemplo” nessa matéria, afirmando que nos governos da União Europeia o que domina é o pragmatismo

O Presidente da República considerou esta terça-feira que embora a "governação ideológica" possa durar algum tempo acaba sempre por ser "derrotada pela realidade", sublinhando que na governação concreta o que domina é o pragmatismo.

"Observando a zona euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa faturas por pagar, mas acaba sempre por ser derrotada pela realidade", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção no encerramento do Conselho da Diáspora, que decorreu no Palácio da Cidadela, em Cascais.

Apontando a crise grega e a negociação do terceiro resgate como "exemplo que em matéria de governação a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia", Cavaco Silva vincou que nos governos da União Europeia o que domina é o pragmatismo.

A "ideologia económica" na zona euro, continuou, "só resiste como modo de vida de comentadores, de analistas políticos, de articulistas que fazem o deleite de alguns ouvintes, de alguns leitores, em tempos de lazer" e o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis é "um exemplo claro que essa governação económica só resiste nos comentadores". "Na governação concreta, o que domina é o pragmatismo", defendeu.

Falando ainda sobre a zona euro - que permanece como um "núcleo duro" - Cavaco Silva disse entender que, depois da "prova de resistência" por que passou com a crise na Grécia, onde houve "a consciência clara de que a desagregação teria custos gigantescos", há neste momento a sensação de que "os riscos de desmembramento são pequenos".

Agora, acrescentou, para manter a solidez do núcleo da zona euro é fundamental reforçar os alicerces do projeto, criar uma verdadeira união económica e financeira, completar a união bancária, que se junta à união monetária que já existe, e criar uma verdadeira união orçamental que possa assegurar a disciplina orçamental e a sustentabilidade da divida pública em todos os estados membros.

"Portugal mantém-se à tona de água porque integra este núcleo duro da zona do euro, Portugal não tem alternativa, se saltasse fora afundava-se", vincou.

Numa intervenção em que falou igualmente sobre terrorismo e segurança, o chefe de Estado advertiu ainda para a necessidade de o poder político cuidar "com muita atenção" da preservação da confiança, sublinhando que os empresários olham para Portugal como um país com ambiente favorável para o investimento e um país em que se pode confiar.