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Marques Mendes. “Costa não sabe onde se está a meter” relativamente à TAP

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Luís Barra

Ex-líder do PSD diz que o primeiro-ministro pode estar a entrar numa
“aventura”, ignorando as consequências da reversão do processo de privatização da TAP

Luís Marques Mendes confessou que encara com alguma “estupefação” a intenção manifestada pelo primeiro-ministro de reverter o negócio da venda da TAP.

“Acho que até ao momento António Costa tem agido globalmente bem com moderação e sentido de responsabilidade. Mas aqui [relativamente à TAP] pode estar a entrar numa situação com consequências terríveis”, afirmou esta noite o antigo líder do PSD, no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Marques Mendes alerta para os possíveis riscos da reversão do processo de privatização da TAP. “Goste-se ou não se goste o negócio está encerrado. O negócio foi feito, o concurso foi realizado e o contrato está fechado”, insistiu.

Segundo Marques Mendes, o chefe do Governo pode estar a entrar numa situação “em que não sabe onde se vai meter”.

Entre os principais problemas da operação, o ex-líder dos sociais-democratas destaca o “imbroglio jurídico, bom para os advogados e mau para o Estado” ou o facto de o Estado - enquanto acionista maioritário da TAP - ter que injetar dinheiro, que terá que retirar de outro lado.

Salienta ainda que o processo poderá ter como contrapartida a criação de uma “TAPzinha”, ou seja uma empresa menor, o que deverá resultar em despedimentos. E por último, adverte para os danos na reputação do país. “Se o Estado volta atrás é a imagem de Portugal que fica mal no estrangeiro.”

“Isto pode ser uma aventura que se sabe como começa, mas não como acaba”, conclui.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro garantiu em Bruxelas que o Estado português “retomará 51% do capital da TAP”. António Costa tem insistido sempre que é possível e termos legais e em negociação com o consórcio liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa chegar a um acordo positivo para ambas as partes.