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Costa: “Venda do Banif ao Santander tem um custo muito elevado para os contribuintes”

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Marcos Borga

Primeiro-ministro disse este domingo à noite que a venda ao Santander por 150 milhões de euros “é a que melhor defende o interesse nacional”

A venda do Banif ao Santander, decidida este domingo, "tem um custo muito elevado para os contribuintes mas é a que melhor defende o interesse nacional", afirmou o primeiro-ministro, que disse recusar "iludir" os portugueses.

De acordo com um comunicado divulgado este domingo pelo Banco de Portugal, "a operação envolve um apoio público estimado de 2,255 mil milhões de euros que visam cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e 1,766 mil milhões de euros diretamente pelo Estado".

António Costa, numa declaração lida perante as câmeras de televisão, deixou críticas ao anterior Governo ao referir que, "quando este Governo tomou posse foi confrontado com situação de urgência que era conhecida há mais de um ano".

"Desde que o Estado detém a maioria do capital do Banif sabia que estava obrigado a apresentar um plano de reestruturação", explicou. Após a rejeição de sucessivos planos de reestrututação, a Comissão Europeia apresentou uma data-limite de março para que fosse apresentado um plano credível. "Passados nove meses nada estava solucionado" quando este Governo tomou posse, disse António Costa.

As instâncias comunitárias referiram que teria de ser apresentada uma solução até este domingo, acrescentou.

Sublinhou ainda que as novas condições para a resolução bancária terão como consequência a eventual penalização dos despositantes, razão pela qual o Governo e o Banco de Portugal tomaram também esta decisão com "extrema urgência."

O primeiro-ministro disse que esta solução "protege integralmente todos os depósitos incluindo as poupanças dos emigrantes portugueses".

Apesar do "elevado custo" da operação, a solução encontrada "revelou-se a que melhor serve o interesse público, protegendo a economia, as poupanças dos depositantes, os postos de trabalho, a salvaguarda da economia, em especial das regiões autónomas, e a estabilidade do sistema financeiro". Além disso representa uma "solução definitiva para o problema não ficando o estado sujeito a perdas futuras".

"É uma solução dolorosa e custosa para os contribuintes mas esta segunda-feira os balcões do Banif abrirão com normalidade".

O governante manifestou-se ainda disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários sobre o processo na Assembleia da República.

"Estamos já a trabalhar na maior recuperação possível dos custos hoje assumidos. Este Governo faz questão de não iludir os portugueses e de reconhecer os custos desta operação. Merecem o cabal esclarecimento de todo este processo", concluiu.