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Olá, ó cais do Alfeite! Eles estão de volta p'ró Natal

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Depois de alguns dias de férias em agosto, a guarnição da D. Francisco de Almeida voltou ao mar e só regressou a Lisboa este domingo

Pedro Nunes

Nos últimos seis meses, a fragata D. Francisco de Almeida assumiu o estatuto de navio-almirante de uma das forças permanentes da NATO. De regresso a Lisboa, já no Tejo, com sentimento de missão cumprida, a guarnição escutou elogios do ministro da Defesa e agradecimentos do chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas. E no cais do Alfeite tinham um mar de saudade à sua espera. Sempre assim será. Venha de lá o Natal

Carlos Abreu

Jornalista

Missão cumprida. A fragata D. Francisco de Almeida, navio-almirante de uma das forças navais permanentes da NATO durante o segundo semestre deste ano está de volta a casa. Pouco passava do meio-dia quando o navio atracou no Alfeite iluminado por um sol de outono com sabor a primavera, e o cais invadido de saudade em vésperas de Natal.

Apesar da tecnologia que levam nos bolsos permitir o contacto regular com aqueles que ficam no cais quando se soltam amarras, desde de finais de agosto que nenhum dos quase 200 militares da guarnição estavam cara a cara com aqueles que mais amam. Chegou o dia. Beijos e abraços com muita emoção à mistura.

No seu breve discurso à guarnição em formatura no hangar da D. Francisco de Almeida, ainda no Tejo, o ministro da Defesa, que chegou pela manhã a bordo de um helicóptero Lynx da Marinha – não se esqueceu deles, dos que ficaram no cais.

“Agradeço às vossas famílias e a quem vos é querido o apoio caloroso permanente e prestimoso que tantas vezes com saudade e sofrimento, apesar da distância, vos fizeram chegar. Foram longos meses tanto para aqueles que por longe andaram a servir Portugal como, decerto que por vezes em circunstâncias pouco fáceis, para aqueles e aquelas que aqui vos esperam”, afirmou Azeredo Lopes na sua primeira presença, enquanto responsável pela pasta da Defesa Nacional, a bordo de uma unidade naval.

Azeredo Lopes chegou à D. Francisco de Almeida a bordo de um Lynx da Marinha

Azeredo Lopes chegou à D. Francisco de Almeida a bordo de um Lynx da Marinha

Pedro Nunes / Lusa

194 dias e tanto mar

Ao longo de 194 dias, ou seja entre 8 de junho e 18 de dezembro, os 183 militares da guarnição a que se juntou um staff formado por 12 portugueses e sete estrangeiros de seis nações aliadas (Canadá, Espanha, Holanda, Grã-Bretanha, Noruega e Polónia), sob o comando do contra-almirante português Alberto Silvestre Correia, de 56 anos, sulcaram tantos mares: Negro, do Norte, Báltico, Egeu, da Irlanda...

À D. Francisco de Almeida, na qualidade de navio-almirante da SNMG1 - Standing NATO Maritime Group 1, uma das quatro forças navais permanentes da Aliança Atlântica, duas de navios escoltadores e duas de draga-minas, juntaram-se, em diversos momentos, mais nove navios de sete nações em vários exercícios militares, alguns dos quais grande complexidade.

Este domingo de manhã, na hora de fazer o balanço, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, que também chegou à D. Francisco de Almeida na companhia do ministro da Defesa, começou por sublinhar a participação no Northern Coasts (no Báltico em setembro), no Joint Warrior (no Mar da Escócia em outubro) e no Trident Juncture (no Mediterrâneo e no Atlântico em novembro), tendo feito ainda uma referência aos 50 dias passados no mar a apoiar a operação de combate ao terrorismo Active Endeavour.

Pina Monteiro destacou ainda a presença da SNMG1 no Mar Negro, onde participou em dois exercícios com as marinhas da Roménia e da Bulgária (Breeze, no início de julho, que o Expresso acompanhou em exclusivo), por terem permitido o “estreitamento de relações com nações aliadas e parceiras da NATO”, numa região especialmente conturbada desde a invasão russa da Crimeia em 2014 e do conflito armado no Leste da Ucrânia onde Moscovo reconheceu, na semana passada, ter botas no terreno.

Durante a sua intervenção, o general CEMGFA, com o ministro ali ao lado, não perdeu oportunidade de, em jeito de “palavra de estímulo e de esperança” lembrou aos militares de regresso a casa que “apesar das mudanças que temos vindo a sentir, algumas bem profundas na nossa vida” devem continuar a “acreditar que vale a pena fazer a diferença servindo o país como militar”. E agradeceu a presença de Azeredo Lopes que momentos depois, aos jornalistas, acabaria por dizer que os militares não deverão esperar grandes alterações em relação ao próximo orçamento do Ministério da Defesa.

Azeredo Lopes falou aos jornalistas tendo do seu lado direito o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, e à sua esquerda o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Macieira Fragoso

Azeredo Lopes falou aos jornalistas tendo do seu lado direito o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, e à sua esquerda o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Macieira Fragoso

Pedro Nunes / Lusa

Orçamento "conservacionista"

Questionado pelo Expresso sobre um eventual aumento da dotação orçamental para as Forças Nacionais Destacadas (FND) em 2016, o governante disse que ainda não estava em condições de avançar números recusando “estabelecer previsões que depois poderia não vir a cumprir” mas perante a insistência dos jornalistas acrescentou: “[No próximo orçamento] haverá, com certeza, um princípio relativamente conservacionista tomando em consideração a situação atual do país.”

A dotação para as FND, que custeia as despesas acrescidas com o envio e manutenção, além-fronteiras, de forças nacionais como foi o caso da guarnição da D. Francisco de Almeida, dos F-16 da Força Aérea na Roménia ou dos militares do Exército que estão no Iraque até maio do próximo ano a dar formação aos iraquios que combatem o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), foi no orçamento de 2014 e 2015 de 52 milhões de euros quando em 2010 e 2011 era de 75 milhões de euros.

Respeitando os compromissos assumidos por Portugal junto da NATO, no segundo semestre de 2016 uma outra fragata da Armada, muito provavelmente a Álvares Cabral, irá integrar durante seis meses uma das forças navais permanentes da NATO mas já não assumirá a condição de navio-almirante. O comando da SNMG1, por exemplo, foi transferido esta sexta-feira, dia 18, na Base Naval de Cartagena, Sul de Espanha, para o contra-almirante José Enrique Delgado Roig e será assegurado, em 2016, sempre por um militar espanhol.

Na qualidade de navio-almirante de uma das forças permanente da NATO a D. Francisco de Almeida escalou 19 portos em dez países nos últimos seis meses. Está de volta a Lisboa

Na qualidade de navio-almirante de uma das forças permanente da NATO a D. Francisco de Almeida escalou 19 portos em dez países nos últimos seis meses. Está de volta a Lisboa

Pedro Nunes / Lusa

  • 72 horas a combater nas barbas dos russos

    Os russos andam por cá com bombardeiros e NATO por lá com fragatas e destroyers. Este é o diário de bordo de um exercício no Mar Negro liderado por um almirante português, que a bordo da D. Francisco de Almeida comanda uma das forças navais permanentes da Aliança Atlântica. Um exclusivo Expresso

  • Portugal no mar Negro de olhos postos nos russos

    Em entrevista exclusiva ao Expresso, o contra-almirante Silvestre Correia, que comanda desde segunda-feira uma das forças navais permanentes da NATO, destaca os exercícios previstos, já em julho, com as marinhas romena, búlgara e turca no mar Negro. E os russos ali tão perto