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Cavaco homenageia Eanes como “homem de liberdade e de coragem”

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Marcos Borga

Presidente da República corrige condecoração a Eanes e insiste na de Rocha Vieira

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

“Um homem de liberdade, um lutador, um homem de coragem”. Assim falou o Presidente da República sobre o general Ramalho Eanes, ao atribuir-lhe hoje o Grande Colar da Ordem da Liberdade, a máxima condecoração portuguesa, “em reconhecimento da grandeza do seu caráter e dos serviços que prestou para que Portugal seja hoje uma pátria de liberdade e democracia”.

O general era o único ex-Presidente que não foi agraciado com esta condecoração, pelo que Cavaco Silva resolveu restabelecer a igualdade entre todos. Mário Soares foi o primeiro a recebê-lo das mãos de Sampaio, e este de Cavaco Silva.

“Com invulgar serenidade e sentido de equilíbrio conduziu os destinos de Portugal com firmeza e determinação, colocando o interesse nacional e do povo português acima de várias tentativas de pressão e intimidação”, disse Cavaco Silva, acrescentando que, “enquanto Presidente da República”, Eanes tinha também demonstrado “profundo apreço pela democracia e pela liberdade”.

No seu discurso de resposta, Ramalho Eanes disse entender o propósito de “igualização institucional” que motivou a condecoração, embora considerasse que tal critério esbatia “atos e exemplos pessoais”.

Eanes, que estendeu o mérito da sua condecoração aos que com ele colaboraram, afirmou que as suas “ações de merecimento” se processaram sempre em instituições que são, basicamente, “conjuntos de pessoas que coordenam esforços para alcançar um fim que a todos eles interessa.”

Uma condecoração na hora da saída

Quanto ao general Rocha Vieira, a quem foi atribuída a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, Cavaco Silva considerou que para além da sua “brilhante folha militar”, o general contribuiu também para “a consolidação do processo democrático e repor a autoridade hierárquica e a disciplina nas Forças Armadas”.

O Presidente mencionou ainda o seu papel enquanto ministro da República nos Açores e último representante da administração portuguesa em Macau, “revelando um invulgar perfil de homem público”.

Cavaco Silva já tinha previsto agraciar Rocha Vieira mas o facto gerou contestação na altura, principalmente devido à polémica que este mantivera com o então Presidente Jorge Sampaio, por causa da Fundação Jorge Álvares. O Presidente resolveu agora fazê-lo.