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CES. Desta vez, o acordo é entre a direita e António Costa

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Nuno Botelho

A 27 de novembro, a esquerda chumbou uma proposta da direita que visava eliminar progressivamente a contribuição extraordinária de solidariedade. Esta sexta-feira, a história repete-se mas os partidos mudam de barricada: agora é o PS que apresenta a mesma proposta e PSD e CDS querem aprová-la

“No dia em que o PS tiver de depender dos votos do CDS e do PSD para aprovar alguma matéria importante, o que espero é que o Dr. António Costa peça desculpa ao país (…) e se demita”. As palavras são de Pedro Passos Coelho, em entrevista à RTP no dia 20 de novembro. No entanto, menos de um mês depois, o líder social-democrata decide recuar e estender a mão aos socialistas, para aprovar uma proposta que era inicialmente sua.

De acordo com informações avançadas na edição desta sexta-feira do “Diário de Notícias”, o acordo à esquerda falhou relativamente às condições da eliminação da contribuição extraordinária de solidariedade (CES), que será votada esta tarde no Parlamento. Isto porque o PS defende que este valor seja reduzido para metade, acabando por ser extinto em 2017, enquanto os restantes partidos de esquerda querem a sua extinção imediata - ou seja, no início do próximo ano.

E é aqui que entram os partidos de direita, que tinham apresentado uma proposta semelhante à do PS a 27 de novembro, altura em que a esquerda a recusou em bloco. Agora, com os socialistas a porem de novo a redução progressiva da CES em cima da mesa, PSD e CDS admitem que preferem recuar e votar ao lado de Costa. A posição é detalhada por uma fonte social-democrata ao matutino: “Vamos votar a nossa proposta. Vamos é lamentar também que eles a tenham recusado quando fomos nós a apresentá-la”.

O “DN” explica ainda que o PCP chegou a apresentar uma proposta de alteração na especialidade relativamente à eliminação imediata da CES, não tendo adiantado qual será o seu sentido de voto na votação desta tarde. No entanto, ao matutino fonte bloquista confirma que neste aspeto o partido não está em sintonia com os socialistas: “Há acordo onde há acordo, não há acordo onde não há acordo”, conclui.

A contribuição extraordinária de solidariedade já foi eliminada, durante este ano, para os cidadãos que recebem pensões mais baixas. De acordo com o programa do atual Governo, esta taxa será totalmente extinta em 2017.