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Passos pede “moderação” aos líderes de centro-direita sobre o Governo PS

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STEPHANIE LECOCQ / EPA

Ex-primeiro-ministro solicitou aos líderes europeus do centro-direita para reagirem com moderação à mudança de Governo em Portugal. As declarações sobre a preocupação com a aliança entre PS e PCP já lá vão. Passos Coelho espera agora que o país continue na linha da frente da construção europeia. E mais para a frente se verá...

É o regresso de Passos Coelho a Bruxelas. O ex-primeiro ministro deslocou-se à reunião do Partido Popular Europeu (PPE), que habitualmente antecede a cimeira de líderes, agora no papel de líder da oposição.

Questionado sobre se esperava outra reação dos líderes de centro-direita - como Angela Merkel ou Mariano Rajoy - Passos responde que ele próprio pediu moderação nas reações à mudança de governo em Portugal. “O PPE reagiu com moderação como, de resto, eu solicitei que fizessem. Não há nenhuma razão para que o PPE tenha - sobre matérias que dizem respeito à soberania portuguesa - uma intervenção particular”, disse o líder do PSD aos jornalistas, em Bruxelas.

As declarações acesas e preocupadas – como as que Mariano Rajoy e o presidente do PPE Joseph Daul fizeram durante o congresso do partido em Madrid – já lá vão. “Manifestaram alguma apreensão com a forma como, em Portugal, o Governo aliou forças que são antieuropeias ao próprio Governo (...) mas não mais do que isso. O Governo português tomou posse, está em funções, e não há nada que se deva anotar agora”, disse ainda.

O Governo socialista tem repetido a mensagem de que os parceiros europeus e a Comissão Europeia estão tranquilos em relação às intenções do Executivo liderado por António Costa.

Passos Coelho diz que é normal que Bruxelas colabore com todos os governos e espera “que isso aconteça também com o Governo português”. O importante, defende, é que Portugal “continue a ser um dos países que está na linha da frente” da construção europeia.

“Deixei de ser primeiro-ministro mas não deixei de me preocupar com o meu país e com a Europa. E espero que tudo o que possa acontecer daqui para a frente esteja em linha com aquilo que tem sido o interesse da grande maioria dos portugueses em permanecerem com os dois pés bem dentro do projeto europeu", disse.

Passos não quer colocar “nenhum tom de anormalidade na questão”. No entanto, remete as avaliações sobre o novo Governo para o futuro. "Eu julgo que haverá um tempo em que o novo Governo colocará em cima da mesa as suas escolhas, quer no que respeita ao projeto europeu, quer no que respeita aos objetivos de política nacional que precisam de ser compatíveis com as regras europeias. E nessa altura haverá uma leitura mais detalhada sobre aquilo que são, não apenas as intenções mas depois os propósitos apresentados. E nessa altura caberá aos nossos parceiros e à Comissão avaliar”.