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Ferreira Leite: “Não é momento de refletir” sobre o Banco de Portugal

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Em relação à proposta do primeiro-ministro de rever a arquitetura institucional do BdP, a antiga ministra das Finanças refere que “não é correto fazer-se insinuações e frases vagas que podem levar a desconfianças” sobre a instituição

Numa análise sobre o primeiro debate quinzenal no Parlamento, Manuela Ferreira Leite lamentou “as insinuações que foram feitas sobre o papel do Banco de Portugal (BdP)”. No habitual espaço de comentário na TVI24, a ex-líder do PSD considerou que a proposta de António Costa de rever o modelo de gestão do BdP não foi feita no momento certo.

“Foi muito infeliz [o primeiro-ministro] ter arranjado esse momento para fazer essa reflexão sobre o BdP”, afirmou Ferreira Leite, sublinhando: “Não é o momento de refletir. O Primeiro-ministro não pode fazer isso”.

“Não é correto fazer-se insinuações e frases vagas que podem levar a desconfianças sobre o BdP”, frisou.

A ex-ministra das Finanças disse ainda que o “BdP não responde a nada perante o Governo”, sendo que a capacidade do mesmo em “intervir no BdP é quase nula”.

Em relação à situação do Banif, tema também presente no debate de quarta-feira, Ferreira Leite disse ter ficado “perplexa ao pensar que a troika se foi embora deixando alguns problemas para trás”, acrescentando que este é “um problema que merece ter sigilo e alguma reserva, dado às consequências que pode ter”.

Sobre a redução da sobretaxa, a antiga líder do PSD considera que a medida irá proporcionar “algum alívio fiscal”, contudo refere que o mesmo imposto recairá sobre a classe média.

“Do ponto de vista social não posso deixar de considerar que é justo. No entanto, quem foi mais penalizado ainda não conseguiu ter alívio fiscal. Mais uma vez, a classe média paga para se alcançarem os objetivos”, justificou.

Numa avaliação geral do primeiro debate quinzenal do Governo PS, Ferreira Leite considerou que “a oposição não levou a politiquice para o debate”, enquanto que o “PS mostrou alguma sobranceria para com o PSD e CDS” .