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CDS indica Adriano Moreira para o Conselho de Estado

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José Caria

Paulo Portas abdicou do lugar que já teve e em seu lugar escolheu o antigo presidente centrista. Depois das escolhas do PCP (Domingos Abrantes) e do BE (Francisco Louçã), era o único nome que faltava conhecer para o Conselho de Estado

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas escolheu Adriano Moreira como representante do CDS no Conselho de Estado, apurou o Expresso. Antigo presidente do CDS e ministro do Ultramar durante o Estado Novo, o professor universitário, de 93 anos, será o mais idoso conselheiro do Presidente da República.

O líder centrista optou, tal como Pedro Passos Coelho, por não voltar ao órgão de aconselhamento do chefe do Estado. Assim, a lista de candidatos ao Conselho de Estado que esta quarta-feira será apresentada na Assembleia da República pela anterior maioria tem como primeiro nome Francisco Pinto Balsemão, ex-presidente do PSD e militante número 1 do partido, seguindo-se Adriano Moreira.

“É uma homenagem à sabedoria e um tributo ao sentido de Estado”, diz fonte do CDS ao Expresso sobre a indicação de Adriano. O nome foi discretamente acertado entre Paulo Portas, um núcleo muito reduzido de dirigentes do CDS e Passos Coelho. O Expresso sabe que só na terça-feira à noite ficou tudo afinado com o antigo líder centrista.

“O professor Adriano Moreira é um dos mais persistentes e profundos defensores do humanismo cristão em Portugal. A nossa corrente doutrinaria não podia ficar melhor representada no Conselho de Estado”, diz a mesma fonte, o que poderá indicar uma tentativa de regresso dos centristas à matriz democrata-cristã.

O facto de Adriano Moreira ser visto como uma personalidade “respeitada e prestigiada” na generalidade da sociedade portuguesa também pesou na escolha. Acresce que é o único dos líderes históricos do CDS que não abandonou o partido nem nunca se demarcou das posições posteriores dos centristas. Dos seis presidentes que o CDS conheceu, três acabaram por desfiliar-se. Para além de Adriano e Portas, só Ribeiro e Castro continua ligado ao partido, embora com posições bastante críticas do rumo imprimido pela atual liderança.

Conselho de senadores

Com o nome de Adriano Moreira fica completa a lista dos cinco conselheiros de Estado que serão indicados pela Assembleia da República. A votação está marcada para sexta-feira e haverá duas listas em confronto: uma, com nomes do PS, do BE e do PCP; outra escolhida por PSD e CDS. A eleição faz-se por método de Hondt, o que significa que a maioria de esquerda indicará três nomes, e o centro-direita outros dois.

Carlos César, líder parlamentar do PS, é o único com atividade partidária de primeira linha; os restantes são ex-líderes dos respetivos partidos ou, no caso do PCP, uma figura preponderante nos bastidores.

O PCP surpreendeu ao romper a tradição de indicar para o Conselho de Estado o secretário-geral do partido. A escolha, revelada ontem à noite, acabou por recair em Domingos Abrantes, o histórico com maior peso da linha mais dura dos comunistas. Já o BE acabou por confirmar, também ontem à noite, a indicação de um ex-coordenador. As hipóteses eram João Semedo ou Francisco Louçã, e acabou por ser este o nome sufragado.