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Azeredo Lopes. Portugal não envolverá tropas na Síria mas pode enviar meios para outras regiões

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Tiago Miranda

O novo ministro da Defesa recusa ideia de operações neste país e apresenta prioridades do mandato. Acabaram as privatizações na indústria da defesa

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Governo português não tomou ainda nenhuma decisão quanto ao envolvimento no combate ao autoproclamado Estado islâmico, mas se o fizer, será no quadro da NATO e não será, seguramente e nesta fase, em operações na Síria, afirmou taxativamente o ministro da Defesa Azeredo Lopes.

Em contrapartida, se a França o pedir, Portugal está disposto a enviar meios materiais e humanos das Forças Armadas para ajudar aquele país no esforço do combate ao terrorismo, disse o ministro. Essa participação, anunciou, também não ocorrerá na Síria, mas sim em outros teatros de operações, tal como a França solicitou.

Segundo Azeredo Lopes, a França colocou três hipóteses que estão em negociação, identificando áreas de equipamento ou material militar que podem contribuir para reforçar o seu combate ao terrorismo internacional, mas não fez nenhum pedido específico relativamente ao Estado português.

Modificar só o essencial

O ministro falava hoje no final da cerimónia da aula inaugural do curso de auditores de defesa nacional, que aproveitou para enunciar as prioridades do seu mandato: “Não concordo com tudo o que vou conhecendo, mas não padeço da doença de modificar por modificar”, sintetizou.

Entre essas prioridades destacou em particular a sua convicção sobre o “amplíssimo consenso” sobre a defesa nacional, pelo que - destacou - “é possível apostar em linhas de continuidade e melhorar nas franjas”.

Azeredo Lopes sublinhou no entanto que não se trata de uma “linha de continuidade, mas destacar o que tem de ser conservado, estabilizado e desenvolvido”, citando o exemplo do Instituto de estudos militares ou o hospital das Forças Armadas.

Mais família militar e fim das privatizações

Por outro lado, o ministro fez questão de destacar a diferença em relação ao Governo anterior, apostando no “reforço da dimensão humana e da família militar, um ponto sensível que justifica a maior atenção para quem tutela esta área”, disse.

Outro ponto de diferença face ao Executivo anterior diz respeito à industria de Defesa, “nacional ou com forte componente nacional”, especificou, relativamente à qual prometeu que o papel do Estado passará “em primeira linha pela gestão das participações públicas” nessa indústria.

Esta é uma diferença fundamental face à política do anterior Governo, que apostou na privatização.

“O Governo acredita que poderá, se não reconstituir, pelo menos manter dimensões da industria e estar receptivo a hipóteses que se venham a colocar”, afirmou, sublinhando: “É altura de ficarem os dedos e tanto quanto possível preservarmos alguns dos nossos anéis, há instituições em concreto com excelência acima da norma e capacidade de desenvolvimento que qualquer Estado moderno tem o dever de acarinhar”.