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“O Tó Mané tem uma biografia”

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Marcos Borga

Vasco Lourenço e Pacheco Pereira lançaram esta terça-feira a biografia não oficial do candidato presidencial Sampaio da Nóvoa, Tó Mané para os amigos. “Estou farto de cataventos e de vendedores de banha da cobra”, disse o primeiro, sentado ao lado do segundo, que considerou que a maior fraqueza do candidato é a atitude do PS

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Foi um lançamento a dois tempos: um, comprometido, de Vasco Lourenço, que lembrou que “o Presidente está aqui, não na TVI”, e outro, em registo profissional, de Pacheco Pereira, mas que não deixou de assinalar também que a candidatura de Sampaio da Nóvoa corresponde ao espaço político da maioria governativa.

O próprio candidato compareceu ao salão da Associação 25 de Abril, que foi pequeno para tanta gente, a esmagadora maioria de meia-idade. Jovens, só mesmo os jornalistas. O facto não passou despercebido a Pacheco Pereira, que mencionou o certo cariz de “justiça geracional” que inspira a candidatura.

“Nem hipócritas nem falsos arrependidos”

O historiador fez questão, aliás, de marcar a distância face ao depoimento de Vasco Lourenço, que se confessou um apoiante de Sampaio da Nóvoa, e apelou aos demais candidatos para, se for necessário, desistirem de ir às urnas.

“A alternativa será a de vermos suceder a um homem que nos tem envergonhado com a sua postura como Presidente da República, suceder-lhe um outro que, estou certo, pelo seu comportamento passado e pela sua postura atual de menino virgem e inocente nos continuará a envergonhar”, afirmou o presidente da Associação 25 de Abril, numa óbvia menção a Marcelo Rebelo de Sousa.

“Sei do que falo, não tenho memória curta, estou farto de assistir a pias declarações de intenções em tempo de campanha para ver tudo virado do avesso assim que conseguem chegar ao poder. Não suporto cataventos, nem vendedores de banha da cobra, hipócritas e falsos arrependidos”, acrescentou.

Marcos Borga

Que personagem é esta?

Pacheco Pereira preferiu “baixar o tom”, conforme disse, e analisar o livro, que não leu todo, culpa do editor. Destacou que é uma biografia para durar, e que passou no teste: o livro fala da militância do biografado na LUAR, um grupo da extrema-esquerda de que foi fundador Camilo Mortágua, pai das gémeas Mortágua, deputadas do Bloco de Esquerda.

Para o historiador, que às tantas se indagou sobre “quem é a personagem que sai do livro”, trata-se de “um homem com mérito científico, académico, mas no essencial é uma pessoa com atividade pessoal, académica, política e cívica de relevo e ao mesmo tempo normal. E normalidade é do que temos falta”, disse.

Pacheco Pereira afirmou ainda que esta é a candidatura que melhor corresponde ao Governo atual e aos entendimentos e acordos realizados, e que melhor responde à estratégia do PS. E se essa é a sua força, a atitude do PS também é, segundo Pacheco, um fator de fraqueza.

O livro, da autoria do jornalista Fernando Madaíl, é extenso e pretende dar a conhecer a vida e o percurso profissional do candidato, que se matriculou em matemática, concluiu o curso de conservatório de Teatro, jogou futebol quase profissional e militou na LUAR. Licenciou-se em Ciências da Educação em Genebra e doutorou-se em História Moderna e Contemporânea. Professor catedrático, acabou por ser mais conhecido como reitor da Universidade de Lisboa.