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Jerónimo recusa alarmismo sobre Banif

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Alberto Frias

O líder comunista lembrou contudo que a preocupação do PCP com o Banif é antiga, defendendo que é preciso encontrar uma solução que proteja os depositantes

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse esta terça-feira não acompanhar "o alarmismo" sobre a situação do Banif mas defendeu que é preciso encontrar uma solução que defenda os interesses nacionais e os depositantes.

"Não acompanhando este alarmismo, pensando nos interesses nacionais e depositantes creio que é necessário encontrar uma solução. Mas insisto nesta ideia, sem um controlo público, hoje é mais um caso, já existiram outros e outros existirão", afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral comunista lembrou que a preocupação do PCP com a situação do Banif "não é de hoje" e que já tinha questionado o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, em três debates quinzenais, sobre "os dinheiros públicos que poderiam estar em causa" no banco.

"Lembro-me da resposta de Passos Coelho que dizia que estamos a investir e é dinheiro garantido porque até ganha juros. Esta foi a resposta. E hoje Passos Coelho está calado", sublinhou o secretário-geral do PCP, que falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Para Jerónimo de Sousa, "independentemente da solução que possa ser encontrada", a situação do Banif "demonstra a necessidade do controlo público da banca para evitar que se assista mais uma vez a uma sangria de dinheiros públicos para acudir aos desmandos e aos erros da gestão dos banqueiros".

A TVI e o "Público" noticiaram que o Estado está a estudar a aplicação de uma medida de resolução na instituição financeira e que poderá haver uma decisão ainda esta semana.

Essas informações levaram o Ministério das Finanças a publicar uma nota, ao início da madrugada de hoje, a afirmar que está a acompanhar a situação do Banif, nomeadamente a tentativa de venda do banco a um investidor estratégico e a garantir que irá proteger os depositantes.

Já o Banif emitiu, pela sua parte, um comunicado ao mercado a dizer que qualquer cenário de resolução ou imposição de uma medida administrativa não tem "sentido ou fundamento", após a divulgação de notícias que dão conta de que o Estado se prepara para intervir no banco.

Na segunda-feira à noite, o presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, sublinhou que o banco conta com uma posição de "liquidez confortável", garantindo que "os depositantes e contribuintes podem estar descansados".

Em entrevista à RTP-Madeira, Jorge Tomé classificou de "disparate perfeito" um cenário de encerramento do banco, transmitindo uma mensagem de confiança aos depositantes da instituição.