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Costa troca Alegre por César no Conselho de Estado

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Marcos Borga

O convite estava feito: Manuel Alegre seria reconduzido ao órgão responsável por aconselhar o Presidente da República. Só que o PS fez marcha-atrás e preferiu convidar o presidente e líder parlamentar Carlos César

“A princípio, era para ser eu”, explica Manuel Alegre. Só que... não foi. O histórico socialista explica à edição desta terça-feira do “Diário de Notícias” que houve uma reviravolta na composição da lista da esquerda para o Conselho de Estado e que, depois de ter sido convidado para presidir à lista, acabou por ser desconvidado em favor do presidente do PS, Carlos César.

Ao matutino, Alegre detalha a situação: “Parece que há uma tradição segundo a qual o número um da lista é sempre ou o secretário-geral do PS ou o presidente do partido. Ora, o secretário-geral já está no Conselho de Estado [uma vez que é primeiro-ministro]. Assim, avançou o presidente do partido”.

Manuel Alegre deixa assim de ser o representante socialista da lista, uma vez que os outros dois nomes que a esquerda vai apresentar serão indicados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. No entanto, o histórico socialista afirma estar “contente” que no seu lugar “vá um representante do Bloco de Esquerda ou do PCP”.

Contactado pelo “DN” sobre a situação, o presidente do PS recusa fazer comentários: “O formato [da lista] foi comigo, os nomes são com o secretário-geral”.

Louçã e Jerónimo deverão acompanhar Carlos César

A lista da esquerda, que será composta por três elementos - um por partido -, visa refletir a composição parlamentar, conseguindo assim a maioria dos lugares que a Assembleia da República tem direito a indicar para o Conselho de Estado. Até aqui, era habitual que os partidos do bloco central (PS e PSD) repartissem entre si os cinco assentos deste órgão consultivo; no entanto, a seguir essa tradição, desta vez o PS ficaria em minoria, conquistando apenas dois dos cinco lugares, uma vez que sozinho elegeu menos deputados do que os sociais-democratas.

Se o convite inicial se tivesse mantido, Manuel Alegre teria sido reconduzido no órgão que aconselha o Presidente da República, uma vez que atualmente já ocupa uma posição indicada pelo Partido Socialista. Alegre apoiou Costa quando este desafiou António José Seguro na liderança do partido e foi favorável às assinaturas dos acordos à esquerda, promovidos pelo atual primeiro-ministro depois das últimas eleições legislativas.

A confirmar-se os nomes que têm sido avançados pela imprensa, o Bloco de Esquerda deverá escolher na reunião da sua comissão política que está marcada para esta terça-feira o ex-coordenador do partido, Francisco Louçã, e os comunistas deverão, como é tradição, apontar o nome do secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa.

O prazo para apresentar as listas termina esta quarta-feira; depois, a Assembleia da República irá votar as listas apresentadas pelos partidos de direita e pelos partidos de esquerda, numa sessão marcada para esta sexta-feira, último dia de trabalho antes da pausa natalícia.