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Alegre: “Conselho de Estado é caso encerrado”

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José Caria

Histórico socialista, membro do Conselho de Estado desde 2005, diz-se satisfeito por “essa tradição” que o PS invoca para o substituir por Carlos César significar a entrada do BE e do PCP no órgão consultivo do Presidente

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Manuel Alegre não quer comentar mais o assunto: "Para mim é caso encerrado", diz ao Expresso. Mas percebe-se que não lhe agradou perder a oportunidade de encabeçar uma lista que, pela primeira vez, integra um membro do BE e outro do PCP - ele que tem sido um dos principais defensores no PS da união das esquerdas. Regista "essa tradição" que a direção do PS invoca para o retirar de cena e garante estar "satisfeito" por dar lugar a um representante do BE ou do PCP.

Na semana passada, o histórico socialista, há dez anos no orgão consultivo do Presidente da República, fora anunciado como o número um da lista de candidatos do PS aos cinco lugares no Conselho de Estado (CE) que os deputados vão eleger na próxima sexta-feira. Mas ontem soube-se que, afinal, seria Carlos César a ocupar o posto. Ao Expresso o presidente do PS e líder parlamentar endossa a responsabilidade da decisão a António Costa: "A minha função foi a de apurar o formato da lista. Os nomes competem ao secretário-geral".

Ainda assim, justificou: "O histórico das indicações do PS para o CE demonstra que o critério foi sempre o de indicar em primeiro o secretário-geral, quando o PS está na oposição, e o o Presidente do partido, quando o PS está no Governo". Com efeito, em 2002 (Governo PSD) estiveram no CE Ferro Rodrigues e Almeida Santos (respetivamente secretário-geral e presidente); em 2005 (Governo PS) Almeida Santos subiu a número um e entrou Manuel Alegre - que bisaram em 2009 (novamente Governo PS). A exceção deu-se em 2011: António José Seguro (secretário-geral) foi número um mas manteve Alegre (se tivesse seguido a tradição teria dado a vez a Maria de Belém, então a presidente do PS).