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Marcelo Rebelo de Sousa. “Continuei a privar com Ricardo Salgado”

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Marcos Borga

Em entrevista ao Expresso, o candidato presidencial defende que “a família não tem um papel a desempenhar em termos políticos”

Ângela Silva

Ângela Silva

Texto

Jornalista

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Texto

Subdiretor da SIC

Tem uma namorada há anos mas não tenciona envolvê-la na Presidência se for eleito. Marcelo defende que em República “a família não tem um papel a desempenhar em termos políticos”. E põe as mãos no fogo por Rita Cabral, que foi administradora do BES. Continua a privar com Ricardo Salgado, recorda que o criticou várias vezes, e lamenta que muitos “que o bajulavam, agora o ignorem”. Com esses é feroz: “Assim se vê a categoria moral das pessoas”.

Não ter primeira-dama é um handicap?
Entendo que numa República, diversamente de uma monarquia, a família do Presidente da República não tem um papel a desempenhar em termos políticos. Pode ter acontecido e eu reconheço que possa até ter havido méritos nisso, com um contributo social dos cônjuges de anteriores Presidentes. Mas não há nenhuma obrigação institucional de o PR ter uma primeira-dama e eu entendo que os planos se devem separar. Os meus netos não andarão a correr pelos jardins do Palácio de Belém nem aparecerão em encontros protocolares.

Como vai gerir o facto de a sua companheira ter sido administradora do BES?
O facto de a Rita ter exercido funções de gestão no BES não me cria qualquer embaraço. Em primeiro lugar, considero-a uma pessoa de honestidade, rigor e transparência a toda a prova. Em segundo, não existe qualquer processo que a envolva. Terceiro, como é próprio de uma sociedade democrática adulta, as nossas vidas profissionais e patrimoniais são separadas. Somos pessoas diferentes e fizemos vidas profissionais diferentes. Eu sou conhecido pelo que penso sobre gestão empresarial. Tirando o Expresso e o “Semanário”, onde exerci funções de gestão, tive muitos convites para grupos económicos e financeiros, mas sempre entendi que não os devia aceitar.

Não teme que a sua amizade com Salgado prejudique a sua campanha?
Não prejudica minimamente. Eu sempre achei que a melhor maneira de ter amigos que exercem funções empresariais e têm algum peso económico é não depender deles. É a única forma de falar com eles em pé de igualdade ou até de superioridade. Em relação a Grupo BES, nunca aceitei funções de consultoria ou dependência funcional. E se sempre que entendo que devo exprimir em termos críticos a minha opinião exprimo-a, em relação a Ricardo Salgado, quando entendi criticá-lo critiquei-o. No congresso do PSD em Tavira, falei sobre as ligações entre os poderes económico e político, pediram-me nomes e eu disse exatamente que situação era essa. Ele estava na China com uma delegação governamental e houve grande polémica, numa altura em que toda a gente o bajulava e os media o colocavam como o mais poderoso do país. Depois, na venda da Vivo e da Optimus, que sempre achei desastrosa, fiz essa crítica, contra muitos dos que agora dizem que foi péssima mas na altura achavam-na ótima. Agora, também não sou daqueles que quando veem um amigo em desgraça e quando antes o bajulavam, passam a ignorá-lo. Aí é que se vê a categoria moral das pessoas.

Quando foi a última vez que esteve com ele?
Há algumas semanas. Agora não tenho tido muito tempo. Mas continuei a privar com ele, naturalmente.