Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos Coelho assume-se como “líder do maior partido da oposição” e candidato a primeiro ministro

  • 333

Luis Barra

Reforça que o Governo não é apoiado pelo PSD, mas não tem intenção de votar contra tudo o que ele apresente no Parlamento. Como líder da oposição, Pedro Passos Coelho assume, numa entrevista ao jornal “Público”, que é também candidato a primeiro-ministro e diz ter ficado satisfeito com as conclusões que leu do Conselho de Ministros

Pedro Passos Coelho assume-se como candidato a primeiro-ministro e líder da oposição, garantindo, por outro lado, que não vai ter um envolvimento "muito intenso" na campanha do candidato Marcelo Rebelo de Sousa.

Em entrevista publicada na edição deste sábado do jornal “Público”, o ex-chefe do executivo recusou ainda pronunciar-se sobre o Orçamento de Estado - "ainda não conheço" - e diz ter ficado satisfeito com as conclusões que leu do Conselho de Ministros.

"Vejo-me nos próximos dois anos como líder do maior partido da oposição e, nessa medida, como candidato a primeiro-ministro", afirmou o ex-chefe do Governo, na entrevista realizada pelas jornalistas Áurea Sampaio e São José Almeida.

Passos Coelho apontou também o que disse serem os "dois grandes problemas" do país. Um, "consolidar o caminho de desendividamento e de recuperação económica"; outro, "o combate às desigualdades sociais".

Sobre este último, o ex-primeiro-ministro justificou: "Somos um país profundamente desigual e as coisas não melhoraram com a situação difícil que vivemos nos últimos anos".

Votar sempre contra o Governo "não faria nenhum sentido"

A propósito das eleições presidenciais, o líder do PSD garantiu que não vai ter um envolvimento "muito intenso" na campanha do candidato Marcelo Rebelo de Sousa, para não lhe dar "um caráter partidário".

"Os partidos não devem promover candidaturas presidenciais", disse, para acrescentar que eles devem sim "apoiar ou recomendar o voto em pessoas que, de livre vontade, decidam candidatar-se".

Por outro lado, Passos Coelho negou a intenção de votar contra tudo o que o Governo apresente no Parlamento. "Com certeza que não. Não faria nenhum sentido", afirmou, sublinhando, no entanto, "o que me parece uma evidência". Ou seja, "este Governo não é apoiado pelo PSD".

"Julgo que seria uma perversão completa que agora que perdeu as eleições, [o Governo] reclamasse de quem as ganhou que o apoiasse", frisou.

Na apreciação aos socialistas, Passos Coelho considera que o PS está, "de facto, muito próximo do PCP e do BE", devido à sua nova geração de dirigentes.

"O PS hoje está, de facto, muito próximo do PCP e do BE porque pensa que o papel do Estado, o papel da economia, o papel da sociedade civil devem ter uma configuração diferente", disse.

Medidas anunciadas são o maior elogio ao anterior executivo

O ex-primeiro-ministro do Governo de coligação PSD/CDS classificou ainda as medidas anunciadas recentemente pelo executivo socialista para sair da situação de défice excessivo como um elogio: "As medidas que foram anunciadas valem 0,027% do PIB (Produto Interno Bruto) - 46 milhões (de euros) é, portanto o que nos separa de ter um défice excessivo. Isso parece-me o maior elogio à política que fizemos".

Passos Coelho considerou que, se se conseguir este ano ficar abaixo dos 3%, a meta de um défice de 2,8% em 2016 definida pelo novo Governo "é na prática não fazer nada" e defendeu que "Portugal tem de ter um objetivo de redução do défice muito mais ambicioso".

Sobre o sentido de voto do seu partido em relação ao Orçamento do Estado para 2016, o líder do PSD disse que aguarda a apresentação do documento, considerando "prematuro" falar em propostas de alteração.

Passos Coelho falou ainda do "relacionamento francamente bom" com o CDS-PP, mas, quando questionado sobre a possibilidade de uma fusão entre os dois partidos, rejeitou a ideia.

"São partidos em que cada um tem o seu espaço próprio e por essa razão é que pode haver relevância em que constituam coligações e até possam fazer uma frente eleitoral em circunstâncias particulares, mas creio que ninguém no PSD ou no CDS está interessado numa fusão dos partidos", disse.