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Ferreira Leite diz que já é altura do PSD se separar do CDS

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Alberto Frias

“São todos muito simpáticos, mas amigos, amigos... negócios à parte”, defende a ex-líder do PSD em relação à manutenção da coligação com os centristas. Sobre o aumento do salário minimo para 600 euros, a antiga ministra das Finanças diz não ser correto estar-se a criar falsas “expectativas” aos trabalhadores

Manuela Ferreira Leite acusou a CGTP de estar a “criar expectativas nos trabalhadores” ao continuar a falar no aumento do salário mínimo para 600 euros já no próximo ano. Para a antiga ministra das Finanças esse é um cenário “que não é exequível” e a central sindical sabe-o. No habitual espaço de comentário na TVI24, a ex-líder do PSD refere ainda que “a CGTP nunca na vida assinou um acordo”.

“Não é que algum de nós ache que 600 euros é muito. O que está em causa é a CGTP saber qual o contexto da natureza das empresas portuguesas. Acho que não é correto está a criar expectativas dos trabalhadores. Debater-se já pelos 600 já em 2016 não e exequível e a CGTP sabe disso melhor que ninguém”, criticou Ferreira Leite.

A ex-ministra das Finanças disse ainda ter “a sensação” que mesmo que da Concertação Social saísse um acordo de aumento para 600 euros do ordenado mínimo em 2016, na altura de assinar o documento à CGTP faltaria “a tinta na caneta”.

Apesar da discussão da matéria salarial ter sido adiada para o próximo dia 15, Ferreira Leite sublinhou que se tratou de “um dia importante” para o novo Governo. “É bom que nos apercebamos que a Concertação Social é uma coisa importante para este Governo, independentemente dos apoios parlamentares”, referiu.

Sobre a polémica dos cinco lugares eleitos pela Assembleia da República para o Conselho de Estado, Ferreira Leite defendeu que o PS pode fazer o que quiser com os seus três lugares (até mesmo entregar cadeiras ao BE e PCP). “O PS que faça o que entender, se quiser dar os seus lugares é como quiserem. Não me choca que se mude a composição do Conselho de Estado”, considerou.

No entanto, para ex-líder dos sociais democratas, o PSD deve ocupar os seus dois lugares e não partilhar com o CDS, pois já é altura de ambos os partidos “se separarem”: “Não percebo porque o PSD deverá dar o lugar a um outro partido. É tempo de pensar cada um por si e seguirem os seus caminhos. São todos muito simpáticos, mas amigos, amigos... negócios à parte”.

Além disso Ferreira Leite justifica também que o CDS é apenas a quarta força política mais votada e, caso lhes fosse atribuído um lugar no Conselho de Estado, isso daria legitimidade ao BE de reivindicar também uma posição naquele órgão consultivo, sendo que foram os terceiros mais votados pelos portugueses.