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PS responsabiliza anterior governo se défice superar os 3%, PSD reage: “não estraguem”

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“Deixem as coisas estar como estão e não estraguem”, disse no Parlamento ex-secretário de Estado. Declaração mereceu críticas violentas de PCP e Bloco. “PSD e CDS deixaram uma autêntica bomba-relógio e agora estão ali sentados nas suas bancadas à espera da explosão”, salientou Mariana Mortágua

O deputado socialista Paulo Trigo Pereira advertiu esta quarta-feira que se a execução orçamental do último trimestre deste ano for igual à do mesmo período de 2014, o défice ficará em 3,1%, perspetiva totalmente rejeitada pelo PSD.

"A saída ou não do procedimento dos défices excessivos, que almejamos, depende do comportamento deste último trimestre, do qual dois meses são ainda da responsabilidade do anterior executivo e apenas o último do atual Governo", defendeu o economista e deputado independente do PS na sua intervenção em plenário.

De acordo com o professor universitário, "se a execução orçamental deste último trimestre for igual à do ano passado (défice de 1,9%), teremos um défice excessivo de 3,1%". "O PS reconhece a importância de se evitar um défice excessivo já em 2015, tem vontade política de o alcançar e tudo fará para o conseguir. Porém, há que reconhecer que representa enorme exigência de consolidação orçamental neste último mês a exiguidade de tempo e de soluções que o Governo tem para alcançar", justificou.

O dirigente da bancada do PSD António Leitão Amaro contrariou em absoluto esta interpretação dos mais recentes indicadores macroeconómicos nacionais, sustentando mesmo que tanto a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) como o Banco de Portugal "concluem que Portugal vai ter no final do ano um défice inferior a 3%".

"Bastará que se cumpra o mesmo resultado alcançado em agosto e setembro passado. Se a velocidade de descida do défice for a mesma, será mais do que suficiente para que se cumpra um défice abaixo de 3%. Deixem as coisas estar como estão e não estraguem", declarou o ex-secretário de Estado social-democrata, dirigindo-se à bancada socialista.

Esta intervenção de António Leitão Amaro mereceu depois violentos ataques da parte do PCP e do Bloco de Esquerda, com o deputado comunista Paulo Sá a contrapor que os mais recentes dados "comprovam a falsidade da propaganda de PSD e CDS sobre a devolução da sobretaxa de IRS aos contribuintes, crescimento económico e défice". A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua considerou mesmo que o anterior Governo PSD/CDS-PP deixou "uma armadilha" em matéria de consolidação orçamental e controlo do défice.

"PSD e CDS deixaram uma autêntica bomba-relógio e agora estão ali sentados nas suas bancadas à espera da explosão. As promessas feitas por PSD e CDS em matérias como meta do défice e crescimento económico, a par do esgotamento da almofada financeira, constituem uma tripla fraude", sustentou Mariana Mortágua.

Já no período de respostas, Paulo Trigo Pereira aludiu às críticas do Tribunal de Contas face à forma como o anterior Governo utilizou em novembro passado "a almofada financeira para pagar despesas correntes". "Em matéria de défice, desconhecemos também o impacto de rubricas importantes como as contas do Hospitais EPE, que só mais tarde serão apuradas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)", apontou o deputado do PS.