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Cavaco vê Portugal “no caminho certo” depois de “saída limpa”

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marcos borga

“Espero que o país mantenha essa trajetória de crescimento económico e criação de emprego”, diz o Presidente. Há dias, no Parlamento, o ministro das Finanças disse que “a expressão ‘saída limpa’ foi um resultado pequeno para uma propaganda enorme”

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou esta quarta-feira que Portugal está "no caminho certo" depois de ter conseguido "uma saída limpa" do programa de ajustamento e afirmou esperar que o país "mantenha a trajetória".

Ao lado do presidente da República da Irlanda, Michael Higgins, que se encontra em visita de Estado a Portugal, Cavaco Silva lembrou que os dois países passaram por um programa de ajustamento económico e financeiro e sublinhou que Portugal "não pode deixar de ter como objetivo o crescimento económico e a criação de emprego".

"Nós invejamos a taxa de crescimento económico que recentemente a Irlanda tem vindo a alcançar. Quando ouvimos falar em 5 ou 6 por cento de crescimento económico, não há país na União Europeia que não tenha inveja da Irlanda", declarou o Presidente na conferência de imprensa conjunta com o presidente irlandês, que decorreu na Sala das Bicas do Palácio de Belém.

"Estou convencido que depois de termos conseguido alcançar uma saída limpa do programa de ajustamento e de ter regressado aos mercados, com taxas de juro bastante favoráveis, Portugal está no caminho certo e eu espero que mantenha essa trajetória de crescimento económico e criação de emprego", disse.

Questionado sobre se considera vital que o Orçamento do Estado para 2016 dê entrada ainda antes de terminar o seu mandato, Cavaco Silva escusou-se a responder, declarando apenas que "todos os diplomas que chegam ao PR são objeto de uma análise aprofundada nas diferentes assessorias antes de o Presidente tomar uma decisão quanto à sua promulgação". E que neste momento não há "diplomas em suspenso" na Presidência da República para serem analisados.

Interrogado sobre se consideraria natural que o órgão de consulta do Presidente da República - Conselho de Estado - reflita a nova composição da Assembleia da República e o novo quadro político, Cavaco Silva também se escusou a responder.

O Presidente da República disse que se congratula com o facto de "cada vez mais ao nível político em Portugal se reconheça que não é possível um crescimento económico sustentável se ao mesmo tempo não [houver] um sistema de finanças públicas saudáveis e um sistema bancário forte".

Cavaco Silva destacou que Portugal e Irlanda têm em comum "o reconhecimento de que o crescimento económico e criação de emprego requerem o respeito pelas regras de disciplina e orçamental e financeira da União Europeia e a estabilidade dos respetivos sistemas financeiros".

O Presidente da República sublinhou que ao lado dos objetivos de consolidação orçamental, a União Europeia deve ter uma "agenda forte de crescimento e criação de emprego" e não esquecer os objetivos de coesão social.

"Ao lado do mercado interno deve estar sempre a política de coesão económica e social", disse, lembrando que Portugal e a Irlanda estiveram lado a lado na defesa da coesão social em vários momentos da construção europeia.

Cavaco Silva considerou ainda que deve ser feito um esforço para a criação de "uma união na área da energia", algo que seria "bastante importante" para Portugal e que contribuiria para reduzir a dependência da Europa do gás da Rússia.

Virtudes e “propaganda” da “saída limpa”

A expressão “saída limpa” regressou ao discurso político pela segunda vez em poucos dias: esta quarta-feira, pela voz do Presidente da República, e na semana passada, por via do novo ministro das Finanças. Mas enquanto Cavaco Silva vê virtudes na “saída limpa”, Mário Centeno observa “propaganda”.

“Não vendemos ilusões nem apresentamos quimeras. Medimos economicamente todas as propostas que fizemos", afirmou o ministro das Finanças há uma semana, durante o debate no Parlamento do programa do Governo. Um estudo "atento e detalhado da realidade" fez com que Mário Centeno afirmasse que, perante a situação encontrada, "a expressão 'saída limpa' foi um resultado pequeno para uma propaganda enorme".