Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Superconfiante na vitória, Marcelo diz que o Presidente terá de ajudar a lidar com a “amargura” da direita

  • 333

Rui Duarte Silva

“Se não ganhar à primeira ganho à segunda”, afirmou o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa, numa entrevista em que considerou que o próximo Presidente terá de ajudar "a sarar as feridas". Quanto ao Orçamento de Estado, disse que deve estar entregue até 9 de março

Marcelo Rebelo de Sousa mostra-se extremamente confiante na vitória nas presidenciais do próximo ano. Numa entrevista concedida esta segunda feira à noite à SIC, o candidato referiu que as sondagens estão do seu lado, que Cavaco Silva “é passado”, que ele quer “ser o futuro”. E lembrou: “Um pessoa candidata-se para vencer”.

“A minha leitura das sondagens é que se não ganhar à primeira ganho à segunda. Só não sei é se a vitória na primeira volta é folgada o suficiente para não ter que ir à segunda”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que não clarificou se já está a pensar num segundo mandato.

O professor parece afastar a possibilidade de convocar eleições legislativas antecipadas. Marcelo defendeu que neste momento Portugal precisa de estabilidade e garantiu que tudo fará para que solução socialista “dê certo”. “Espero que esta solução dê certo e tudo farei para que seja douradora. O pior que poderia acontecer era haver quatro ou cinco legislaturas durante um mandato” presidencial.

Agora, um dos passos mais importantes é ter o Orçamento de Estado para 2016 despachado e entregue. E 9 de março é o limite “desejável” para Marcelo. “Se chegamos a abril com o Orçamento ainda empancado isso não é bom para o país. Já deveríamos estar a pensar no orçamento do ano seguinte”.

O apoio e a “amargura” direita

Rebelo de Sousa compreende a “amargura" da direita, que já tinha Governo preparado e que acabou por não governar: “Qualquer pessoa que anda na política tem a noção exata que a saída do poder trás consigo um amargura. Quando se tem um Governo pronto e depois não se é Governo essa amargura é maior”.

Portanto, o próximo Presidente tem a tarefa acrescida, diz Marcelo, de “ajudar a sarar as feridas”. “Há muita crispação à flor da pele, há muito emoção e pouca racionalidade, o que obriga o Presidente da República a ter um papel mais importante do que os [presidentes] anteriores, não só para sarar feridas como também prevenir futuras crises políticas”, acrescentou.

Outros do pontos salientados pelo antigo líder do PSD foi a importância da presidência se manter em constante contacto com o Governo, os partidos e os parceiros sociais. “Não os pode receber apenas quando há crises, há que mantar a relação para evitar eventuais crises. O Presidente é uma parte fundamental que se deve envolver ativamente, embora discretamente”, defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou claro que o facto de ser apoiado pelo PSD e CDS não o vai condicionar, até porque um Presidente, disse, não pode ser partidário. “Aceito os apoios, mas eles não me vinculam minimamente. Entendo continuar como militante do PSD, embora suspenda a minha filiação durante o mandato, caso seja eleito”, explicou o candidato presidencial. “Ando a ensinar há 40 anos que o Presidente da República não é um Presidente partidário. (…) Enquanto Presidente, tem de estar a cima das conotações e estratégias partidárias”, acrescentou.

Na altura em que apresentou a candidatura na corrida a Belém, a 9 de outubro, Marcelo avisou Passos e Portas que iria avançar, mas não pediu “autorização a ninguém”. “Comuniquei aos líderes do PSD e CDS a minha candidatura, não tinha que ter feedback. Comuniquei que ia avançar com a minha candidatura e ponto final parágrafo”.

O amigo Ricardo Salgado e a campanha eleitoral discreta

Há muito que se conhece a amizade entre Marcelo Rebelo de Sousa e Ricardo Salgado. Agora que o primeiro é candidato à presidência e o segundo é arguido no caso BES a relação toma outra proporção mediática. O professor, que raramente tem “cortes de relações com os amigos”, sublinha que a amizade ”não tem nada a ver com a dependência” e lembra que já atacou o amigo mais de uma vez.

“Nunca trabalharei para ele [Ricardo Salgado] ou para o BES. Quando ninguém abriu a boca para atacar Ricardo Salgado, eu ataquei. Naquela altura, provocou afastamento entre os dois mas a amizade superou isso”, referiu.

Marcelo acredita que “não há incompatibilidade” entre o seu possível cargo de Presidente e amizade com Salgado, mas se houver “o exercício do cargo vai manifestar sacrificar manifestações de amizade”.

“Eu acredito na Inocência de toda a gente até ao julgamento. Espero que ele consiga provar a sua inocência, e a justiça tem de ser exemplar e rápida para todos”, concluiu Marcelo rebelo de Sousa sobre o assunto.

Não vai ter poster nem cartazes nas ruas no decorrer da campanha eleitora, pois isso “seria uma espetáculo chocante” tendo em conta o período que o país tem estado a atravessar. Disse optar por ser mais discreto. “Esta minha campanha tem sido demasiado discreta, as pessoas queixam-se que deveria fazer mais coisas. Estou a fazer a campanha que o país precisa para uma campanha presidencial”.

O professor vai continuar a exercer todas as suas funções até às eleições, a única que fica de fora é a de comentador de televisão. “Eu era muito feliz não sendo candidato. Não precisava disto para ter importância política, social, económica ou mediática. Acho que é o meu dever, acho que neste momento sou quem tem as melhores condições para os ser. Não podia faltar à chamada”, rematou Marcelo Rebelo de Sousa.