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Política

“Maria de Belém é apoiada pelas farmacêuticas e maçonaria”

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Luis Barra

Entrevista a Henrique Neto, candidato à Presidência da República

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

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Subdiretor da SIC

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Avançou com a candidatura à Presidência da República em março deste ano e escolheu o Padrão dos Descobrimentos em Lisboa para fazer o anúncio. Hoje afirma que se não passar à segunda volta não apoiará ninguém — “Ficarei a escrever livros”. Mas vai avisando que os outros candidatos não servem para o país: “São resultado de um sistema que nos levou à crise”. E é particularmente duro com os da sua área política. Sampaio da Nóvoa diz “coisas que são absurdas”. E Maria de Belém (que se diz independente) é apoiada por várias corporações: “O setor das farmacêuticas não é uma corporação? A maçonaria não é uma corporação?”

Com que candidato da sua área política mais se identifica, Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa?
Com nenhum, porque não vão resolver os problemas do país. Estiveram calados em todos os anos da desgraça.

Se não passar a uma segunda volta e se ela existir, quem apoiará?
Provavelmente ninguém. Ficarei a escrever livros.

Mas entre Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa, não seria mais lógico apoiar o candidato de esquerda?
Não estou certo de qual deles será o melhor. Temos três candidatos relevantes segundo as pessoas, mas que são resultado do sistema que conduziu Portugal à crise, ao empobrecimento e à irrelevância internacional. Há um sistema que tem de mudar. Quando os dois candidatos que representam fações ou grupos dentro do PS vêm dizer que são independentes, que credibilidade têm para ser Presidente da República?

Coloca Marcelo ao mesmo nível dos candidatos da esquerda?
Coloco. Nenhum deles vai mudar seja o que for. E deixe-me dizer que o apoio da Maria de Belém vem de um sector do PS e de várias corporações.

O que quer dizer com isso?
Acham que o setor das farmacêuticas não é uma corporação? A maçonaria não é uma corporação?

Maria de Belém é apoiada pela maçonaria?
Sei que é apoiada por muitas corporações, foi isso que disse.

E Sampaio da Nóvoa?
Idem. Mas com a nota de que ele diz coisas que para mim são absurdas. Quando afirma que não comentaria aquilo que Mário Soares fez ou faz, eu pergunto, ele não tem opinião sobre aquilo que Mário Soares diz sobre Sócrates e sobre a justiça?

Seria capaz de votar em Marcelo Rebelo de Sousa numa segunda volta?
Não. Gosto muito do meu país.

Nesse caso não votaria em ninguém numa segunda volta?
Provavelmente. O meu objetivo é unir todos os portugueses. O país não é da esquerda nem da direita, é dos portugueses. Esta obsessão continuada de que o que é bom é da esquerda, o que é bom é da direita, está a destruir o país.

Falou com António Costa sobre a sua candidatura?
Não falei com ninguém da hierarquia do PS. Nem com António Costa nem com António José Seguro, que apoiei.

Se António José Seguro fosse líder do PS, teria o apoio do PS?
Não era fácil. Defendi sempre o PS. Fui eu que melhor do que qualquer outro socialista defendeu o PS ao longo dos últimos 15 anos, quer pelas moções que escrevi quer porque combati aquilo que foi a degeneração do PS, aquilo que fez a meu ver com que o PS perdesse as últimas eleições: as ligações a Sócrates, à política anterior, a corrupção, os interesses. Fui contra isso. Mas reconheço que para essas pessoas que beneficiam dos interesses e para aqueles que querem vir a beneficiar no futuro, sou mais do que pessoa non grata, sou um perigo.

E a si quem o apoia? Não é a maçonaria supomos...
São os patriotas que me apoiam. Mas também tenho apoiantes na maçonaria e até já lá fui fazer um debate. Os meus apoiantes vão do CDS ao PS. Desde o José Ribeiro e Castro, ao Mira Amaral, ao Medina Carreira, são pessoas que se têm batido pelo país.

Não sente que tem algum défice de popularidade comparativamente com os outros candidatos?
Tenho vários défices. E a popularidade é um deles. Tenho o défice de não ser apoiado por partido nenhum. Outro défice é com a comunicação social. É evidente que é mais difícil se não for à televisão, sobretudo se os outros candidatos já lá estão ou já lá estavam, alguns pelo menos permanentemente aos longo dos anos... Eu ia mais à televisão antes de ser candidato. Se não tiver o reconhecimento das classes média e média baixa, que são as que menos me conhecem e que são a maioria das pessoas, é muito difícil.

Tem 79 anos. A idade também é um handicap?
Claro que sim. As pessoas não me conhecem o suficiente e provavelmente acham que com esta idade já não sei pensar e legitimamente poderão questionar se eu estaria lá os quatro anos. Mas eu penso que sim. O meu avô morreu com 102 anos, as minhas avós morreram, uma com 98 e outra com 103 anos. A minha genética é boa.

Não está disposto a desistir?
Não. Isso não se coloca.

Quando entrega o processo da sua candidatura no Tribunal Constitucional?
Está previsto para o dia 11. Já tenho as assinaturas mas têm de ser validadas nas juntas de freguesia.