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Lobo Xavier: “Foi embaraçante para o PCP” ter de votar a favor do PS

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O antigo líder da bancada parlamentar do CDS considerou que a esquerda vai ter “um lado problemático”, que pode revelar “fragilidades”: Mário Centeno. Já José Pacheco Pereira referiu que em Passos e Portas “há medo dos esqueletos no armário”

António Lobo Xavier defendeu, na noite desta quinta-feira, que “foi embaraçante para o Partido Comunista ter que se levantar e votar a favor do Partido Socialista” na votação da moção de rejeição ao Governo de António Costa. No habitual programa da SIC Notícias, “Quadratura do Circulo, que partilha com José Pacheco Pereia e Jorge Coelho, o ex-líder da bancada parlamentar do CDS disse ainda ter achado “graça” ao discurso de Paulo Portas.

“O Bloco parece estar na lapela do PS e está disposto a mais integração, o PCP não. Tem uma certa contenção embaraçada e custou-lhe ter que levantar e ter que votar a favor do PS. Houve várias frases que mostraram esse embaraço”, considerou Lobo Xavier.

O antigo deputado referiu que Mário Centeno pode ter “um lado problemático” no acordo à esquerda e que até poderá ser o motivo que revelará “fragilidades”, uma vez que é uma pessoa mais ao centro e moderada. “Parece-me que quer o BE quer o PCP não morrem de amores pela figura dos ministro das Finanças”, disse.

Já Jorge Coelho assegura não estar “espantado” por Mário Centeno não ser o número dois do Governo. “Isso só aconteceu no governo do doutor Pedro Passos Coelho”, justificou.

“Conheço muito bem Mário Centeno, que é muito competente e sensato. O pior que poderia acontecer neste momento era um ministro das Finanças birrento”, acrescentou.

Direita “bem-disposta e com graça” ou “perigosa”?

Lobo Xavier disse ainda que PSD e CDS “estão bastante entendidos” e funcionam ainda como “um bloco”. Confessou também ter achado a intervenção de Paulo Portas “bem-disposta e com graça”, sem qualquer “tom de agressividade”.

Opinião totalmente diferente expressou José Pacheco Pereira, que considerou o discurso da direita como “perigoso” e com vista a “eleições a curto prazo”. “O discurso é politicamente muito forte. É um discurso para eleições a curto prazo. O que me parece é que grande parte das pessoas do lado da maioria já percebeu que não haverá eleições a curto prazo, o que deixa este discurso no ar”, disse.

“Se fosse uma moção de rejeição com um discurso baseado na análise do programa achava bem, agora há este elemento perigoso de contestar a legitimidade do Governo. É uma coisa que deixa rasto...”, acrescentou Pacheco Pereira.

O comentador disse também que é normal que o anterior Executivo “tenha medo que haja esqueletos no armário. Ao longo de quatro anos, vivemos sobre uma política de dolo. A sobretaxa é um deles e de certeza que há mais, e incluo o valor do défice para este ano nesse esqueleto”.

“Estamos numa situação nova, não há ementa nem cardápio. É por isso mesmo que as pessoas têm a sensação de instabilidade, não sabem como se comportar. A história é sempre surpresa e um bom exemplo é este Governo”, rematou.