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Telmo Correia. “Além da tralha socrática, este Governo é social-comunista”

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Telmo Correia discursou na sessão de encerramento do debate sobre o programa de Governo

Marcos Borga

O deputado do CDS subiu à tribuna para distribuir ataques à maioria parlamentar: Costa é o “primeiro-ministro não eleito”, Centeno discursa sem saber um só número, BE e PCP já não falam de privatizações ou de reestruturar a dívida. Resultado: aplausos de pé da direita e muitas interrupções da esquerda

“Para além da tralha socrática, este Governo é social-comunista”. Num discurso inflamado, o deputado do CDS Telmo Correia conseguiu esta tarde pôr as bancadas da coligação de direita a aplaudir em pé. Para o PS, deixou um aviso: “Quando a geringonça quebrar”, António Costa não vai poder contar com o apoio dos partidos de direita.

Seguindo as linhas que têm marcado os discursos da direita - críticas ao PCP, ataques ao ministro das Finanças que “não sabe um só número”, ênfase na “ilegitimidade de António Costa” -, Telmo Correia começou por saudar Costa, “o primeiro-ministro não eleito pelos portugueses”. Perante a reclamação da bancada socialista, acrescentou: “O contrário de não ser eleito é ser eleito. E Passos Coelho ganhou as eleições para primeiro-ministro”.

Quanto à aliança de esquerda, “muitas dúvidas”: “Diz o povo, na sua sabedoria, que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Esta solução nasce torta porque é liderada por um primeiro-ministro que nunca ganhou as eleições e junta partidos que têm visões opostas do interesse nacional e da integração europeia”. E novo ataque dirigido aos socialistas: “O muro não caiu, continua firme. O que caiu foi o PS, para o outro lado do muro”.

Por entre pedidos de descontos ao presidente da Assembleia, dadas as interrupções permanente das bancadas de esquerda, houve tempo para desejar “boa” - mas curta - “viagem” ao novo Governo: “Os senhores escolheram o rumo. Escolheram o trajeto e a velocidade. Boa viagem e que não haja acidentes, porque quem normalmente paga os vossos acidentes são os portugueses. Com amizade, permitam que vos diga: que a viagem seja breve”.

Apesar de defender que “BE e PCP não mudaram de opinião”, pois “quem mudou foi Costa”, as dúvidas de Telmo Correia sobre a aliança da esquerda também deram azo a críticas à coerência de bloquistas e comunistas, uma vez que fez questão de frisar: “Agora, BE já não fala de reestruturação da dívida e PCP já não fala de privatizações”.